Rival de Chávez critica superávit brasileiro e promete visitar Dilma

Atualizado em  1 de outubro, 2012 - 17:42 (Brasília) 20:42 GMT
Candidato venezuelano Henrique Capriles

O candidato venezuelano Henrique Capriles faz campanha no estado de Carabobo

O candidato da coalizão opositora Henrique Capriles disse que, em uma eventual vitória nas eleições presidenciais venezuelanas do próximo domingo, terá melhores relações com a presidente Dilma Rousseff do que o governo do presidente Hugo Chávez.

Ela criticou a relação bilateral entre Brasília e Caracas ao afirmar que não dará continuidade à política de importações de produtos brasileiros à Venezuela.

"Garanto que vamos ter melhor relação com a presidente Dilma do que (a relação) deste governo. Mas queremos ir ao Brasil buscar investimentos para a Venezuela, não (desejamos) que o Brasil seja somente um vendedor à Venezuela, (como) é a realidade de hoje", afirmou Capriles à imprensa estrangeira, nesta segunda-feira, em Caracas.

"Nosso processo de integração tem que ser favorável à Venezuela", disse.

O comércio bilateral entre Brasil e Venezuela saltou de US$ 2,4 bilhões (R$ 4,8 bilhões) em 2005, durante o governo Lula, para uma previsão de pouco mais de US$ 6 bilhões para este ano. O superávit brasileiro é de quase US$ 5 bilhões.

Capriles - que se autodefine como progressista - disse que o Brasil será um dos primeiros países que visitará se for eleito.

No início da campanha, tentando atrair o voto do "chavismo light", Capriles disse que adotaria o "modelo Lula" de governar e prometeu lançar a versão venezuelana do programa Fome Zero.

Os elogios à Lula pararam, no entanto, quando o ex-presidente brasileiro enviou uma mensagem de apoio à Chávez, na qual afirmou que a terceira reeleição do presidente venezuelano representa uma vitória para a região.

Desde então, o candidato opositor passou a reivindicar o "modelo brasileiro" originado na administração de Fernando Henrique Cardoso. "Não se trata de personalizar as coisas (…) o Brasil foi exitoso, tem sido exitoso, depois que aplicou seu Plano Real. Por que a Venezuela não pode conseguir?", disse.

Capriles disse que pretende reduzir o desemprego de 7% com a participação da iniciativa privada e voltou a mencionar o "modelo brasileiro" como saída. "O Brasil seguiu um bom caminho. Necessitava do esforço privado e desenvolveu o esforço privado com uma profunda visão social", afirmou.

Numa clara mensagem ao lobby empresarial regional, Capriles disse que pretende acabar com a relação direta que empresários estrangeiros mantêm com o governo.

Diplomacia

Considerado o rival mais difícil que Chávez já enfrentou, Capriles não soube detalhar qual seria o enfoque de sua política exterior à América Latina caso seja eleito.

Ele voltou a mencionar uma de suas bandeiras de campanha, que é acabar com os "regalos" (presentes) de Chávez aos vizinhos como método para impulsionar a diplomacia na região.

Alvo de polêmica, Capriles promete rever as relações diplomáticas com Cuba caso chegue ao poder, ao mesmo tempo que garante que manterá as missões (programas sociais), que nos setores de saúde e educação funcionam fundamentalmente com ajuda profissional cubana.

"Se precisarmos dos médicos cubanos pagaremos por isso (…) se pagamos toda a assistência de Cuba ainda sobram US$ 3 bilhões (que estão sendo) presenteados", afirmou. Esses números não são confirmados pelo governo.

Ao cantar vitória para o pleito de domingo, Capriles disse que nomeará em breve o nome de seu vice-presidente e advertiu que seu eventual ministro de Defesa "será um general da ativa". A notícia recebeu destaque na imprensa local, ao colocar em dúvida a lealdade dos generais venezuelanos ao governo Chávez.

Em cinco diferentes pesquisas de opinião, Chávez aparece como favorito para conquistar seu terceiro mandato no próximo domingo. O trabalho realizado por duas empresas de pesquisas, no entanto, apontam uma disputa acirrada e um possível empate técnico entre Chávez e Capriles.

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