Analistas debatem possível saída da Grã-Bretanha da União Europeia

Atualizado em  1 de outubro, 2012 - 12:49 (Brasília) 15:49 GMT
David Cameron

Declaração de premiê David Cameron alimentou polêmica sobre possível saída britânica da UE

Uma declaração dada pelo premiê britânico, David Cameron, em junho deste ano sobre um possível referendo a ser realizado no seu país para discutir a relação com a União Europeia (UE) alimentou especulações de que a Grã-Bretanha possa acabar deixando o bloco europeu.

Analistas das mais diferentes correntes econômicas discordam sobre quão possível ou até mesmo desejável tal medida seria. Alguns gostariam que a Grã-Bretanha permanecesse na União Europeia, mas, para outros, uma eventual saída do bloco seria algo inevitável no futuro.

A edição atual da revista alemã de relações internacionais Internationale Politik traz um artigo intitulado "A Questão Britânica".

O autor, Hans Kundnani, argumenta que uma integração mais próxima – que "provavelmente é necessária" para se chegar a uma solução para a crise do euro – "poderia obrigar a Grã-Bretanha a deixar a UE".

'Fatal'

Na avaliação de Kundnani, os políticos alemães e a imprensa do país estão divididos sobre a importância de impedir a saída da Grã-Bretanha. A chanceler alemã, Angela Menkel, entretanto, parece estar "pendendo para ambos os lados". Sua intuição prefere que o Reino Unido continue no bloco, mas isso pode mudar se houver "pressão insustentável" para que ela ache uma solução para a crise do euro.

O próprio Kundnani alerta que a saída da Grã-Bretanha seria "fatal" para o bloco, e que Merkel teria que fazer várias concessões para evitar esse cenário.

Outros compartilham desta visão. O historiador Michael Stuermer escreveu no jornal alemão Die Welt que "é do interesse alemão manter a Grã-Bretanha na UE a qualquer custo". Ele elogia os "instintos de livre comércio" dos britânicos e diz que o sistema de defesa europeia sem o Reino Unido seria "uma faca sem fio".

Para Hubert Wetzel, no jornal alemão Sueddeutsche Zeitung, a permanência da Grã-Bretanha não é tão vital assim para o bloco.

"É claro que a saída da Grã-Bretanha representaria um desastre para a UE. No entanto, com todo respeito, a Europa tem problemas maiores para se preocupar", diz ele.

Alguns analistas franceses já dão como certa a saída da Grã-Bretanha do bloco.

O analista de assuntos europeus do jornal francês Libération, Jean Quatremer, é categórico: "Em poucos anos, a Grã-Bretanha deixará a UE".

Quatremer argumenta que diante do aprofundamento das relações econômicas na zona do euro (em que a Grã-Bretanha não faz parte), a tradicional estratégia britânica de negociar acordos para isentar o país de algumas obrigações com o bloco logo se tornará "simplesmente impossível".

Levando-se em consideração a histeria crescente no debate britânico sobre a UE, "é difícil ver como os britânicos evitarão um referendo sobre o tema", escreve o analista, que acrescenta que os líderes conservadores do país são "eurofóbicos fanáticos".

'Benesse'

Um editorial em francês no site EU-Logos afirma que "o momento da verdade chegou" para o Reino Unido.

O lançamento recente de uma auditoria do governo britânico em relação aos poderes da União Europeia sobre o país provavelmente não vai impedir "a marcha da Grã-Bretanha de rejeição – de uma forma ou de outra – à União Europeia, uma rejeição que está ganhando terreno inexoravelmente".

O editorial parece defender uma saída britânica. "A atitude do Reino Unido está questionando com muita força e muito claramente a existência de todo esse arcabouço construído pacientemente. Suas negações desanimaram seus últimos defensores", afirma o editorial.

Há quem diga que a saída da Grã-Bretanha pode ser uma benesse ao bloco, abrindo caminho para soluções mais rápidas, sem a constante objeção do governo baseado em Londres.

Charles Nonne, em um artigo escrito em francês para o site bloggingportal.eu, lamenta a atual paralisia do processo de integração. Ele culpa os britânicos por isso.

"Ao deixar as instituições da União Europeia, a Grã-Bretanha ofereceria à UE uma oportunidade para lançar o real processo de federalização", diz.

Para o analista alemão Andreas Sowa, do blog blogactiv.eu, a saída da Grã-Bretanha é "um mal necessário para o funcionamento institucional e conceitual da Europa".

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