Palanque BBC: Rio em São Gonçalo se transforma em 'depósito de lixo'

Atualizado em  7 de outubro, 2012 - 07:57 (Brasília) 10:57 GMT
Rio Marimbondo, em São Gonçalo (Romário Régis)

Para blogueiro, autoridades e moradores compartilham responsabilidade por má situação

Há 12 anos moro no bairro do Gradim, em São Gonçalo, que com mais de 1 milhão de habitantes é o segundo município mais populoso do Estado do Rio de Janeiro. Nesse período, sempre passei em frente ao rio Marimbondo. E as cenas que vi sempre foram as mesmas. O rio está sempre sujo, como se fosse um enorme depósito de lixo.

Dentro do rio, há desde sacolas plásticas e outros detritos até sofás e até mesmo cachorros mortos. O lixo, além do mau cheiro, gera também grandes alagamentos na rua, impossibilitando a passagem dos moradores e provocando um grave problema ambiental e de saúde pública.

População e autoridades locais compartilham responsabilidades pela atual situação de deterioração. Os primeiros são responsáveis por jogar entulho e lixo nas ruas, que acabam indo parar no rio. E as autoridades por terem negligenciado os investimentos para despoluir o rio.

Rio descaracterizado

De minha casa até a Baía de Guanabara, O rio Marimbondo percorre, aproximadamente, 1,5km. Ao longo deste trajeto, é possível perceber uma série de problemas que já foram apontados desde 2007, no 27º Congresso Brasileiro de Cartografia, realizado no Rio de Janeiro.

O encontro mostrou que o rio vem sendo descaracterizado. O Marimbondo está sofrendo assoreamento, suas margens alteradas e desmatadas, o que agrava os problemas das enchentes em seu entorno.

São Gonçalo está na 75ª posição em relação ao saneamento básico, em uma lista das 100 maiores cidades do Brasil, segundo a Instituição Trata Brasil, que realiza estudos sobre saneamento em diferentes municípios do país.

O índice deixa claro que o município investe pouco na limpeza de seus rios e que a situação não está melhorando.

Infiltrações

Morando ao lado do rio Marimbondo, dois grandes problemas afetam a casa de Renata Simões, dona de casa de 55 anos. Um deles é o péssimo cheiro, que segundo ela “quando faz muito sol faz, o cheiro é tão ruim que não dá para receber visitas por causa da vergonha”.

Outro grande problema e o maior deles são as rachaduras e infiltrações na casa:

''Todo ano, tenho que gastar uma fortuna por causa dessas infiltrações. Raspo a parede, chamo pedreiro, a casa vira uma zona e não dá certo. O pior é que antigamente, minha casa não era na beira do valão, mas aí eles vêm dragando, dragando e dragando e agora estou a um metro da beira do valão. E minha casa não para de ter infiltração”, diz indignada.

Ao todo, foram mais de 10 obras para ajustar a casa ao problema do rio. Desde encostas no quintal, aumento de 40 cm da sala e do quarto por conta de alagamentos e troca de reboco.

* Romario Regis, 23, é coordenador da Clique Agência Papa Goiaba, projeto de empreendedorismo social voltado para jovens.

O Palanque BBC é uma série da BBC Brasil com textos assinados por blogueiros de diferentes capitais brasileiras e que falam de problemas que afetam essas cidades.


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