Venezuela quer divulgar resultado eleitoral três horas após fim da votação

Atualizado em  6 de outubro, 2012 - 20:50 (Brasília) 23:50 GMT
Tibisay Lucena, chefe do órgão eleitoral da Venezuela (foto: Reuters)

Tibisay Lucena, chefe do Conselho Nacional Eleitoral da venezuela; 'pleito será pacífico'

A disputa entre os candidatos Hugo Chávez e Henrique Capriles pela Presidência da Venezuela tem um árbitro: o CNE (Conselho Nacional Eleitoral). Sua representante máxima, Tibisay Lucena, afirmou à BBC Mundo estar disposta a "exigir que os resultados (da eleição) sejam respeitados".

Lucena disse estar certa de que o pleito de domingo transcorrerá "em paz" e afirmou ter os mecanismos necessários para resolver qualquer eventualidade.

"Estamos calculando que três horas após o fim da votação em todo país poderemos divulgar os resultados".

Leia abaixo trechos da entrevista de Lucena.

BBC Mundo - O governo diz que o sistema eleitoral venezuelano é o melhor do mundo. Em que baseiam tal informação?

Tibisay Lucena - O sistema eleitoral que estamos construindo se iniciou em 1998, quando se tentou pela primeira vez a automação. Entre 1998 e 2003 se automatizou a contagem dos votos. Desde então se automatizou cada parte do processo eleitoral. Isso nos dá uma grande segurança.

BBC Mundo - O voto eletrônico não pode ser pirateado?

Tibisay Lucena - O mais vulnerável é o (voto) manual. Um sistema como o nosso, automatizado e eletrônico, com a transmissão automática, é extremamente seguro porque nos encarregamos de que todos os componentes tenham sido checados, revisados e auditados. O sistema isolado não é seguro, mas é segura a quantidade de elementos e mecanismos de segurança que impusemos para todo o sistema e seus componentes. O CNE fez um sistema seguro pelas medidas que temos tomado ao longo dos anos.

BBC Mundo - Qual é o seu balanço sobre a campanha?

Tibisay Lucena - Foi uma campanha longa. Tivemos outras com 30 dias, 45 dias e decidimos dessa vez fazê-la um pouco maior. Foi uma boa campanha em geral. Pudemos avançar institucionalmente nos mecanismos de controle. Temos um sistema de monitoramento da campanha nas ruas com fiscais eleitorais que vão às instituições, parques e controlam a publicidade exterior em todo o país. Temos um sistema de monitoramento de meios audiovisuais. Temos aperfeiçoado os critérios que nos permitem cumprir as normas.

Além (de investigar) denúncias de terceiros, tomamos iniciativas de investigação. Isso nos fez abrir processos de averiguação administrativa; temos entrado em contato com os comandos (das campanhas) quando eles infringem as regras. O mais importante é que temos chegado a acordos com eles. Temos comunicação contínua (com os responsáveis pelas campanhas eleitorais) de modo que quando percebemos que estão por cometer algum ilícito entramos em contato. Eles têm acatado. Isso tem sido mais efetivo que qualquer sanção.

BBC Mundo - Há denúncias de que vocês se fixam muito nos excessos da oposição e não tanto nos do candidato governista.

Tibisay Lucena - As pessoas podem ter as opiniões que queiram. Nós identificamos os ilícitos e atuamos de acordo com o que está estabelecido na lei. Não escutei (essa denúncia), mas escutei outras. As críticas ao órgão arbitral (CNE) não deveriam ser normais, mas isso acontece na Venezuela e em outras partes do mundo.

BBC Mundo - Também há críticas de que o candidado que está na Presidência emprega recursos do Estado em sua campanha.

Tibisay Lucena - Essa denúncias nós escutamos. Acompanhamos o escritório nacional de financiamento, que faz o controle dos fundos de campanhas. Um mês antes (da eleição) os comandos (das campanhas) devem registrar um representante financeiro. Também têm que registrar números de contas, abrir seus livros contábeis e todos os dias, ou com alguma regularidade, justificar a origem de seus financiamentos. Eles têm depois um mês para fazer a prestação de contas. Dessa forma nós conseguimos rastrear os fundos de financiamento e fazer auditorias.

BBC Mundo - De acordo com sua capacidade de contar os votos, como será a apuração?

Tibisay Lucena - Estamos calculando, não quer dizer que vai ser assim, que três horas depois que termine a votação em todo o país, poderíamos divulgar os resultados. Se o encerramento (da votação) for às 18h, então isso seria às 21h. Se for às 19h, divulgaremos às 22h.

BBC Mundo - Há temores de que algum dos candidatos se recuse a reconhecer o resultado das eleições. O que vocês podem fazer nesse caso?

Tibisay Lucena - Primeiro, estamos confiantes de que os candidatos e candidatas vão aceitar os resultados. Demos todas as garantias e a Venezuela sabe que temos um sistema eleitoral à prova de fogo - e que o resultado divulgado na noite de domingo será reflexo perfeito da vontade popular.

BBC Mundo - Qual é o seu pior pesadelo em relação ao domingo?

Tibisay Lucena - Trabalhamos muito e já fizemos muitos processos eleitorais, por isso temos certeza que tudo vai correr bem. A mesa está pronta e a festa pela democracia está para começar. Temos planos de contingência, nos preparamos até para os cenários mais improváveis e estamos prontos para tudo.

Às vezes acontecem coisas pequenas e também estamos preparados para elas. Se houver algum problema, temos mecanismos para controlar. Se alguém atrapalhar as atividades de algum centro de votação estamos prontos para prender e não permitir que tenha sucesso. Vai ser um dia de votação cívico e pacífico.

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