México confirma roubo de cadáver de chefão do tráfico

Atualizado em  9 de outubro, 2012 - 13:21 (Brasília) 16:21 GMT
Heriberto Lazcano (AP)

Exames forenses confirmaram identidade de Lazcano, mas seu corpo foi roubado da funerária

Autoridades do México confirmaram nesta terça-feira a morte de Heriberto Lazcano, líder do violento cartel de drogas Zetas, bem como o roubo de seu corpo de uma funerária do país.

Após três horas de informações desencontradas, o procurador do estado de Coachuila (norte), Homero Ramos, confirmou a informação - divulgada inicialmente pelo jornal La Reforma - de que o cadáver de Lazcano foi levado por um "comando armado" que invadiu a funerária. Suspeita-se que o roubo tenha sido praticado por membros do próprio Zetas.

Pouco antes, a identidade do traficante morto havia sido confirmada pelas autoridades por meio de impressões digitais.

Na segunda-feira à noite, a Marinha mexicana havia anunciado que Lazcano - ex-soldado de elite treinado com forças militares dos EUA - fora morto na véspera durante um tiroteio no norte do México, mas aguardava testes forenses para confirmar sua identidade.

Agora, com a confirmação, a morte de Lazcano pode ser considerada uma vitória para o governo do México, país que, desde 2006, vive uma sangrenta guerra envolvendo narcotraficantes e forças de segurança, em confrontos que já deixaram cerca de 60 mil mortos.

Ao mesmo tempo, o desaparecimento do corpo é visto como uma vergonha para as autoridades.

Zetas

O cartel Zetas, de Lazcano, foi criado a partir da associações de traficantes e desertores de uma divisão de elite do Exército.

O Zetas realizou alguns dos mais violentos massacres que marcaram o confronto entre autoridades e traficantes no México. O cartel ficou conhecido pela brutalidade: foi o primeiro grupo a exibir as cabeças decapitadas de seus rivais.

Mas o cartel está profundamente dividido, e muitos analistas apontam seu enfraquecimento. Will Grant, correspondente da BBC no México, explica que a morte de seu líder levantará dúvidas sobre o futuro da organização e coloca sob os holofotes outro líder dos zetas, Miguel Angel Trevino (conhecido como Z-40), que pode ascender.

A morte de Lazcano ocorre poucas semanas após a detenção de outro membro sênior do cartel, Ivan Velázquez (chamado de El Taliban).

Lazcano, por sua vez, era conhecido como ''El Verdugo'' ou ''O Executor'', por sua brutalidade e suspeita de envolvimento em inúmeras mortes, entre elas a de Francisco Ortiz Franco, editor de um jornal semanal de Tijuana que trazia reportagens regulares sobre o tráfico de drogas.

Ortiz Franco foi morto a tiros em frente aos seus filhos, ao sair de uma clínica médica.

Os Estados Unidos haviam oferecido uma recompensa de US$ 5 milhões (cerca de R$ 10 milhões) e o México oferecera mais US$ 2,3 milhões (4,6 milhões) para obter informações que levassem à captura de Lazcano.

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