China cresce menos e eleva temor sobre recuperação da economia mundial

Atualizado em  18 de outubro, 2012 - 00:52 (Brasília) 03:52 GMT
China | Crédito: AFP

Economia chinesa desacelerou no 3º tri, alimentando temores sobre retomada mundial

Afetada pelo agravamento da dívida europeia e pela lenta recuperação dos Estados Unidos, a economia chinesa cresceu 7,4% no terceiro trimestre deste ano na comparação anual, contra um incremento de 7,6% de abril a junho, alimentando os temores sobre a fragilidade econômica mundial.

Os dados foram divulgados na manhã desta quinta-feira na China (noite de quarta-feira no Brasil) pelo Escritório Nacional de Estatísticas do país.

Segundo analistas ouvidos pela BBC, com uma demanda externa fraca e uma desaceleração da atividade industrial, a China precisará, agora, revisar sua política monetária de modo a incentivar o consumo interno.

"Nós não acreditamos que haverá uma nova queda na trajetória ascendente da economia chinesa", disse à BBC Tony Nash, diretor-gerente da consultoria IHS Global Insight.

"A atividade econômica do país já deu sinais de retomada nos últimos meses e tal tendência deverá continuar a curto prazo", acrescentou.

Nos últimos três meses, o governo chinês interrompeu o ciclo de afrouxamento monetário ao verificar que a economia do país caminhava rumo à estabilização, apesar de os dados sobre o comércio, a atividade industrial e a inflação terem apontado queda.

Com tal "acomodação" dos indicadores, especialistas acreditam ser pouco provável uma nova rodada de afrouxamento monetário pelo temor de que a inflação e os preços dos imóveis voltem a subir.

A probabilidade de um novo corte na taxa de juros também é remota, preveem.

A desaceleração da economia chinesa também aumenta a pressão sobre o Partido Comunista, que está passando por um processo de transição de lideranças previsto para ocorrer no próximo mês.

Na semana passada, entretanto, o vice-presidente do Banco Central do país, Yi Gang, afirmou que, embora a economia chinesa está expandindo a um ritmo menor, mas "mais robusto" e deve crescer em torno de 7,8% neste ano.

Na ocasião, ele acrescentou que o país tomará medidas para estabilizar o crescimento e tem "grande capacidade de manobra" para usar as políticas monetárias e fiscais se comparada a outras economias do mundo.

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