BBC lamenta decisão de suspender programa sobre escândalo sexual

Atualizado em  23 de outubro, 2012 - 12:46 (Brasília) 14:46 GMT

Entwistle responde a perguntas no Parlamento britânico.

O diretor-geral da BBC, George Entwistle, disse, em depoimento a um comitê do Parlamento britânico nesta terça-feira, que a investigação feita por um dos programas da emissora sobre denúncias de abuso sexual contra um ex-apresentador não deveria ter sido interrompida.

George Entwistle afirmou, no entanto, não acreditar que a reportagem sobre Jimmy Savile, produzida por um dos principais programas da BBC, o Newsnight, tenha sido "engavetada", no ano passado, por pressão da chefia.

Ele esclareceu ainda que pediu que o editor do Newsnight se afastasse do cargo em meio ao inquérito.

Entwistle afirmou também, sem dar detalhes, que a BBC está investigando até 10 denúncias graves que envolvem ex-funcionários e também funcionários atuais da corporação.

Em um depoimento que durou cerca de duas horas, o diretor-geral da BBC disse que, desde que surgiram as denúncias contra Savile - que chamou de "muito, muito graves" - , a BBC fez "muito daquilo que deveria ter feito".

Entwistle disse ainda acreditar que havia "um amplo problema cultural" na BBC no passado, e que isso teria permitido que Savile perpetrasse os abusos. Savile foi uma das estrelas da emissora nos anos 60 e 70.

"Não há dúvidas de que o que Jimmy Savile fez e a maneira com que a BBC se comportou naqueles anos - a cultura e as práticas da BBC parecem ter permitido que Jimmy Savile tenha feito o que fez - vão gerar para nós perguntas sobre confiança e reputação", disse Entwistle ao comitê de cultura, mídia e esportes do Parlamento britânico.

"Esse é um assunto de extrema gravidade e não se pode olhar em retrospecto com qualquer sentimento que não seja o de horror, de que suas atividades tenham persistido o quanto persistiram sem serem detectadas".

'Predador sexual'

A polícia descreveu Savile - que também era DJ e morreu ano passado aos 84 anos - como um "predador sexual", e disse acreditar que ele possa ter cometido abusos contra várias mulheres, até mesmo meninas, durante um período que se estendeu por 40 anos. Uma investigação criminal sobre o caso está em andamento.

Jimmy Savile, o apresentador no centro das denúncias de abuso sexual

Durante o depoimento, Entwistle disse não ter certeza de que "nos anos 60 e 70 eles (referindo-se a funcionários da BBC) teriam sentido que havia algo que pudessem fazer sobre assédio sexual". Entwistle afirmou, entretanto, que, hoje, funcionários da emissora "sabem para onde ir" para tratar de acusações de assédio, afirmando que a empresa tem uma política clara sobre este tipo de conduta.

O depoimento de Entwistle ocorre menos de 24 horas depois de o programa de TV "Panorama", um dos mais importantes da BBC, ter levado ao ar uma investigação não só sobre as acusações de abuso contra Savile, mas sobre o fato de outro dos mais respeitados programas da BBC, "Newsnight", ter cancelado no ano passado uma edição dedicada às suspeitas sobre o ex-apresentador.

O "Newsnight" investigou as suspeitas contra Savile mas nunca as levou ao ar, gerando acusações de que a BBC teria acobertado o caso. O editor do "Newsnight", Peter Rippon, disse que a decisão de cancelar a transmissão foi tomada por razões editoriais, afirmando que faltavam elementos que dessem força à denúncia, e negou ter sofrido pressão de superiores para abandonar a investigação.

Entwistle disse, entretanto, que após assistir ao "Panorama" na noite desta segunda-feira, ficou convencido de que a investigação do "Newsnight" sobre Savile deveria ter seguido em frente.

"Terminei de assistir ao Panorama acreditando firmemente que a investigação, ainda que o editor tenha acreditado que o programa não estava pronto para transmissão naquele momento, deveria ter ido em frente".

Entwistle disse ainda que a edição do "Panorama" mostrava a saúde da BBC como organização de mídia, e não um "sinal de caos", por mostrar a capacidade da organização de investigar-se a si mesma. Ele disse ainda que nenhuma outra organização de mídia no mundo faria o mesmo.

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