Série da BBC Brasil mostra ‘fissuras’ dos EUA que vão às urnas

Atualizado em  30 de outubro, 2012 - 07:42 (Brasília) 09:42 GMT
Desemprego / Reuters

Desemprego foi um dos temas observados na série de reportagens da BBC Brasil

No coração da "América" – e na sua superfície com igual intensidade – forças políticas disputam para fazer valer visões opostas do país que desejam.

No dia 6 de novembro, em exatamente uma semana, essas forças se medirão na que promete entrar para o rol das eleições mais disputadas da história americana recente.

Americanos – de fato e de direito, negros e brancos, gays, mulheres, pobres, ricos – aguardarão com ansiedade o resultado das urnas.

É deles que a divisão está mais perto.

Neste ano eleitoral, temas relevantes e polêmicos fizeram manchetes: economia, desemprego, imigração, casamento gay, aborto e direitos das mulheres, para citar alguns.

Mas no calor da campanha, muitas vezes as sutilezas foram ignoradas e as nuances, desconsideradas.

"A nuance é uma coisa que tem sido mal utilizada neste ano eleitoral", afirmou Christopher Thornberg, entrevistado pela BBC Brasil em Los Angeles para a primeira reportagem da série.

Na sequência de reportagens que publicamos a partir desta terça-feira, convidamos o leitor a se aproximar destes temas e olhar para os rostos de quem são mais intimamente tocados por eles.

Roteiro

Nossos entrevistados estão em dois Estados que são, por si só, quase "países dentro de um país": a Califórnia e o Texas.

Ao longo da semana, viajaremos para a cidade americana com o mais alto índice de desemprego e para o Estado onde metade da população tem acesso precário à saúde.

Compartilharemos a realidade de convivência dos imigrantes ilegais com a deportação e a esperança dos jovens que ganharam uma chance de "sair das sombras" da clandestinidade.

Conheceremos a história de grupos que lutam por igualdade e direitos civis em um país onde os consensos políticos são cada vez mais difíceis de alcançar.

São dilemas que o próximo presidente, a ser eleito no dia 6 de novembro, herdará.

Gays / Reuters

Candidatos americanos disputam votos dos gays

Neles, os mais pessimistas verão um sinal da inviabilidade da democracia americana. Mas em um país de interesses tão diversos, não falta quem identifique aqui o pulsar da vibrante sociedade civil americana.

"Se você pensar o que é a história da América, é a história de diferentes grupos de pessoas batendo na porta e dizendo que também somos americanos", refletiu o professor universitário de História e ativista gay Blake Ellis, que vive em Houston, no Texas.

"Seja o voto feminino, os direitos para os afroamericanos, os escravos, as comunidades de imigrantes, os jovens, os ativistas pelo fim do trabalho infantil, qualquer que seja a luta: esse é um país que caminha para o progresso", acrescentou.

Estrada esburacada

Se é este o caso, há poucas dúvidas de que se trata de uma estrada nada plana.

Se as pesquisas de opinião estiverem corretas, estas serão as eleições americanas mais polarizadas entre um eleitorado masculino e branco, de um lado, e outro composto por negros, mulheres e minorias, de outro.

As mesmas pesquisas indicam que o candidato à reeleição, Barack Obama, levaria a Casa Branca se as eleições fossem hoje – mas poderia ficar atrás do rival, o republicano Mitt Romney, no voto popular.

O mundo já conhece essa história: o ex-presidente George W. Bush, que levou a Casa Branca mesmo ficando 500 mil votos atrás de Al Gore em 2000, nunca conseguiu afastar completamente as acusações de que encabeçava um governo ilegítimo.

A "América" continuará dividida e esta série procura lançar luz sobre algumas destas fissuras.

Leia mais sobre esse assunto

BBC © 2014 A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo de sites externos.

Esta página é melhor visualizada em um navegador atualizado e que permita o uso de linguagens de estilo (CSS). Com seu navegador atual, embora você seja capaz de ver o conteúdo da página, não poderá enxergar todos os recursos que ela apresenta. Sugerimos que você instale um navegados mais atualizado, compatível com a tecnologia.