Pussy Riot quer manter oposição a Putin; relembre sua trajetória

  • 22 outubro 2012
Nadezhda Tolokonnikova saindo da prisão (Reuters)
Image caption Logo ao sair da prisão, Nadezhda pediu boicote à Olimpíada de Inverno de Sochi

As autoridades russas libertaram nesta segunda-feira duas integrantes da banda de rock Pussy Riot, que estavam presas desde 2012 por fazer uma apresentação não autorizada em uma catedral da capital do país, Moscou.

Nadezhda Tolokonnikova e Maria Alyokhina foram beneficiadas por uma anistia concedia a cerca de 20 mil prisioneiros do país.

Prometendo manter a campanha contra o governo russo, elas disseram que a posição delas não enfraqueceu por causa do período na prisão.

Elas disseram que a anistia foi uma “manobra de publicidade” do governo russo, agora que a Rússia se prepara para receber, em fevereiro, as Olimpíadas de Inverno na cidade de Sochi, no sul do país.

Tolokonnikhova, libertada na cidade siberiana de Krasnoyarsk, pediu um boicote à Olimpíada – tema de campanha de organizações não-governamentais, que protestam contra a lei aprovada pelo Parlamento russo que proíbe a “propaganda de relações sexuais não tradicionais entre menores”, o que gerou temores por parte de atletas homossexuais.

“Estou convocando um boicote, em nome da honestidade. Estou convocando (os governos de países do Ocidente) a não cederem por causa das exportações de petróleo e gás da Rússia”, disse.

A integrante da banda Pussy Riot classificou o Estado russo de “máquina totalitária”.

Alyokhina, libertada na cidade de Nizhny Novgorod, disse que a anistia que as beneficiou foi uma “profanação”.

“Se fosse possível, se eu tivesse uma chance, eu teria permanecido na prisão, sem dúvida” para protestar contra o governo, indicou a artista.

Em menos de três anos, a Pussy Riot passou deixou de ser uma banda praticamente conhecida, conhecida por seu feminismo, para se transformar um dos mais conhecidos símbolos da resistência contra o governo de Putin.

A BBC preparou uma retrospectiva para lembrar os principais momentos da banda e a polêmica em torno dela.

Polêmica performance

A Pussy Riot foi formada em 2011, mas ganhou fama quando fez uma apresentação não-autorizada na catedral do Cristo Salvador, em Moscou, em fevereiro de 2012. Elas cantaram uma canção considerada obscena por alguns, chamada de Oração Punk, na qual atacaram o apoio dado pela Igreja Ortodoxa russa a Vladimir Putin.

Prisão

Várias semanas depois da apresentação na catedral – que foi interrompida por funcionários da igreja – Maria, Nadezhda e a terceira integrante da banda, Yekaterina Samutsevich, foram presas e acusadas de “vandalismo motivado por aversão religiosa”.

Elas foram detidas sem direito a fiança até o julgamento, no final de julho, quando foram condenadas e sentenciadas a dois anos de prisão. Samutsevich recebeu o benefício da liberdade condicional em outubro de 2012, mas Nadezhda e Maria permaneceram atrás das grades.

Protesto

O caso dividiu a sociedade russa. Muitos acreditavam que as mulheres estavam sendo tratadas com rigor demais, sendo transformadas em exemplos de como o governo poderia tratar membros da oposição. Mas outros disseram que a apresentação da Pussy Riot na catedral foi um sacrilégio que ofendeu os fiéis da Igreja Ortodoxa Russa.

Destaque mundial

O destino das artistas atraiu a atenção internacional. Músicos como Sting, Madonna, Yoko Ono e a banda Red Hot Chilly Peppers pediram publicamente que elas fossem libertadas, e grupos de direitos humanos as qualificaram como prisioneiros de consciência. As características balaclavas coleridas usadas pelas integrantes do grupo se tornaram um símbolo internacionalmente reconhecido.

Regime de prisão

Maria e Nadezhda, ambas com filhos, enfrentaram duras condições de detenção e tiveram negados inúmeros pedidos de fiança. Tolokonnikova (acima, à esquerda) reclamou de maus-tratos por parte de funcionários da prisão e chegou a fazer greve de fome.

Anistia

A pena das duas artistas iria expirar em março de 2014, mas elas acabaram sendo libertadas em dezembro depois que uma lei de anistia foi aprovada pelo Parlamento russo, beneficiando milhares de pessoas, entre elas prisioneiras com filhos.

Libertação

Os críticos de Putin alegam que a libertação foi uma tentativa de Putin de neutralizar a controvérsia durante a Olimpíada de Sochi.

Os dois membros da banda prometeram formar uma organização de defesa dos direitos humanos para lutar pela reforma do sistema carcerário do país.

Logo após sair da prisão, Tolokonnikhova, de 24 anos, gritou “Rússia sem (Vladimir) Putin”, evidenciando sua visão a respeito do presidente russo.

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