Diante de protestos, Parlamento grego vota novo pacote de austeridade

Atualizado em  11 de novembro, 2012 - 18:21 (Brasília) 20:21 GMT
Manifestaçao em Atenas

Mais de 100 mil manifestantes se reuniram diante do Parlamento para acompanhar a votação

Em Atenas, mais de 100 mil manifestantes se reuniram neste domingo diante do Parlamento grego, onde seus integrantes estão prestes a votar sobre orçamento do próximo ano – especialmente sobre os polêmicos cortes.

O Parlamento precisa aprovar uma série de medidas de austeridade, incluindo cortes de gastos e aumento de impostos se quiser receber o próximo pacote de ajuda financeira de credores internacinais.

Um outro pacote de austeridade foi aprovado na semana passada, diante de protestos violentos, em que manifestantes lançaram coquetéis molotov contra a polícia de choque, que respondeu com bombas de gás lacrimogêneo.

Neste domingo, o Parlamento precisa analisar um orçamento que foi reavaliado, prevendo um sexto ano consecutivo de recessão.

Votando tais medidas de austeridade, o governo grego está tentando garantir um novo pacote de ajuda financeira proveniente da União Europeia e Fundo Monetário Internacional (FMI).

Colapso

Cortes em aposentadorias, salários e benefícios são apenas algumas das medidas que Atenas precisa aprovar se quiser receber a ajuda de 31,5 bilhões de euros (mais de R$ 80 bilhões), necessários para evitar que o governo grego entre em colapso financeiro.

A economia do país deve encolher 4,5% em 2013

O premiê Antonis Samaras já indicou que sem o fundo de auxílio, há risco de que falte dinheiro no país na semana que vem.

Ministros da zona do euro vão se reunir em Bruxelas, na Bélgica, nesta segunda-feira, poucas horas após a votação. Samaras deve participar do encontro.

O principal problema enfrentado por Samaras é que pode levar semanas até que a União Europeia aprove a nova cota de ajuda, segundo o correspondente da BBC em Atenas, Mark Lowen. Isso porque ela tem de ser aprovada primeiro por alguns parlamentos dos países do bloco, incluindo a Alemanha.

Os credores da Grécia também querem entrar em acordo sobre como reduzir os débitos a um nível aceitável antes de emprestar mais dinheiro, ainda de acordo com Lowen.

No limite

Evangelos Venizelos, cujo partido socialista Pasok integra a coalizão do governo, fez um alerta aos parceiros europeus, dizendo que qualquer atraso no empréstimo pode ter impactos negativos não são para a Grécia mas para a zona do euro como um todo.

"A Grécia chegou a seu limite", disse.

Já o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, afirmou que ninguém se opõe ao fundo de ajuda, mas que o governo grego deveria ter cumprido as metas para obtê-lo meses atrás.

"Não somos responsáveis por essa urgência. Todos as pessoas responsáveis por ela estão ciente dos prazos faz muito tempo."

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