Estratégia de destilarias traz uísque mais nobre e caro ao mercado brasileiro

Atualizado em  17 de novembro, 2012 - 16:44 (Brasília) 18:44 GMT

Somente 2% do uísque consumido no Brasil é do tipo single malt (Foto: BBC)

Estimuladas pelo significativo crescimento do consumo de uísque no Brasil, grandes empresas do setor traçam estratégias para fazer com que o brasileiro passe a beber também produtos de melhor qualidade, e de preço mais elevado.

O mercado no Brasil é dominado pelas marcas do chamado blended whisky, produzido a partir da mescla de várias destilações. Dos 38,7 milhões de litros de uísque consumidos no país, quase 27 milhões são deste tipo de bebida, diz um relatório da consultoria Euromonitor.

Agora, as destilarias pretendem "apresentar" ao consumidor brasileiro o seu produto premium, o uísque chamado single malt, feito com um único tipo de cevada que gera uma bebida considerada de qualidade superior (assista ao video abaixo para saber mais). O consumo deste tipo ainda é restrito a 2% do uísque bebido no Brasil, mas tem crescido nos últimos anos.

"Empresas que importavam apenas blended whisky há três anos passaram a importar também o single malt", conta o especialista em uísque Alexandre Campos.

Para a Euromnitor, a sofisticação gradual do consumo que tem acontecido no Brasil é consequência direta do aumento do poder de compra do brasileiro. "É esperado que consumidores de baixa renda e emergentes que passam a ter mais dinheiro no bolso migrem de destilados populares, como cachaça e aguardente, para bebidas premium”, diz a consultoria.

No Brasil, como em outros países, o hábito de beber uísque é fortemente associado ao status social. A bebida é um dos símbolos de sucesso e de prosperidade econômica.

E exatamente por conta do aumento da renda média da população o Brasil tem observado um dos maiores crescimentos de consumo de uísque do mundo, com uma expansão de mercado de 34% ao ano, superando, em percentual, grandes centros tradicionais de consumo como EUA, França e Espanha.

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Formatos alternativos

Segundo a Scotch Whisky Association (SWA), a associação de produtores de uísque escocês, o Brasil foi em 2011 o 8º mercado mundial em volume de vendas e 9º em valor das importações de uísque.

Pelos números da SWA, o Brasil importou mais de 13 milhões de litros de uísque escocês, por cerca de R$ 330 milhões. E a associação espera que esses números continuem subindo.

Outra forma de beber

Para Rosemary Gallagher, gerente de comunicação da SWA, o "amadurecimento" do consumidor brasileiro se dará naturalmente, como aconteceu em outros países. "Conforme os mercados se tornam mais estabelecidos, há um aumento gradual no consumo de single malt", afirma ela.

Mas, apesar da avaliação da associação escocesa, o que se vê é que no Brasil o hábito de beber uísque segue um rumo bem peculiar.

Aos poucos, o consumo no Brasil foi sendo adaptado aos hábitos locais e, hoje, o destilado é tomado de modo bem diferente da tradição escocesa.

Na Escócia, país de clima instável e com frio intenso no inverno, o uísque é normalmente consumido puro, sem gelo, muitas vezes misturado apenas a um pouco de água fresca para diluir a concentração de álcool e liberar mais aromas da destilação.

Nos encontros de uísque na Grã-Bretanha, Brasil está em alta (Foto: BBC)

No Brasil, país de clima quente, a bebida é misturada a muito gelo, a bebidas refrescantes, que podem variar desde água de coco, guaraná e bebidas energéticas.

Ian Logan, representante da Pernod Ricard, responsável pela marca Chivas Regal, diz que o mais importante é buscar uma bebida que "agrade ao seu paladar".

Ele avalia que o consumidor que quer gastar um pouco mais vai gostar das novidades. "O single malt é a escolha mais óbvia, com uma história forte e uma vasta gama de aromas, que tem todo um conhecimento por trás", disse ele.

Para entrar neste mercado peculiar, além do lançamento de novas marcas no Brasil, as grandes empresas como Diageo, Campari e Pernod Ricard têm investido fortemente em anúncios de publicidade. De acordo com a Euromonitor, a tendência dos próximos anos é "a atração de mais consumidores entre 25 e 30 anos para a categoria de destilados".

"Consumidores buscam marcas que reflitam o seu status social e as suas aspirações", afirma Kabir Suharan, representante da marca Jonhie Walker, que pertence à empresa Diageo.

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