Renda sobe mas América Latina está longe de ser de ‘classe média’, diz Banco Mundial

Atualizado em  13 de novembro, 2012 - 20:29 (Brasília) 22:29 GMT
América Latina / WikiCommons

Classe média da América Latina cresceu 50%, mas região carece de avanços em áreas importantes.

Na última década, o aumento da renda média na América Latina fez crescer, consequentemente, a classe média da região, que teve expansão de 50% e hoje representa 30% da população, segundo relatório divulgado nesta terça-feira pelo Banco Mundial.

Entre 2000 e 2010, o crescimento do PIB per capita na região foi de 2,2% ao ano, ou 25% no período.

Mas os especialistas do banco alertam que, apesar de a América Latina já ser uma região de renda média, ela ainda está longe de ser uma região de classe média tradicional, pois muitos avanços ainda precisam ser feitos em saúde pública, ensino e segurança.

"Alguns países investem mais em ensino superior gratuito para estudantes bens de vida do que em saúde pública", disse Jim Yong Kim, presidente do Banco Mundial, em uma entrevista coletiva para divulgar o estudo Economic Mobility and the Rise of the Latin American Middle Class (Mobilidade Econômica e a Ascensão da Classe Média Americana, em tradução livre).

A tendência é resultado do crescimento econômico e da criação de empregos na América Latina nos últimos 15 anos, que depois de décadas de estagnação viu sua classe média rapidamente disparar de 103 milhões de pessoas, em 2003, a 152 milhões, em 2009.

Para fins do estudo, foram consideradas como de classe média pessoas com renda de pelo menos US$ 10 por dia ou o equivalente a uma renda anual mínima de US$ 14 mil para uma família com quatro membros. Essas pessoas, embora não sejam ricas, gozam de segurança econômica e têm uma probabilidade de menos de 10% de caírem na pobreza.

Reformas

De acordo com os autores do estudo, a mobilidade econômica positiva, ou ascensão social, resultou da combinação de boas políticas sociais, condições internacionais favoráveis, alta demanda por commodities e baixas taxas de juros.

Mas para que essa tendência seja mantida é preciso que a região implemente reformas de políticas nos setores de emprego, impostos e previdência social.

"Houve uma tremenda mobilidade positiva e progresso social nos últimos 15 anos", disse Augusto de la Torre, economista chefe do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe durante a coletiva.

Segundo estudo, desde 1985, 46% das pessoas consideradas vulneráveis (indivíduos com renda entre US$ 4 e US$ 10 por dia) passaram a ser classe média.

Uso de serviços públicos

O estudo salienta, no entanto, que para garantir que as futuras gerações possam continuar a ascender socialmente é preciso que a classe média emergente seja mais engajada no progresso social, ao usar mais serviços públicos e, principalmente, se mostrar disposta a pagar por eles.

De acordo com de la Torre, os latino-americanos de classe média tendem a se distanciar dos serviços públicos como ensino, segurança e eletricidade, passando a enviar os filhos a escolas particulares, contratando segurança privada e, inclusive, comprando gerador para suas residências.

"Essas pessoas optam por não usar os serviços públicos, ao contrário do que é observado na classe média dos Estados Unidos, e isso é uma fonte de preocupação", diz o economista.

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