Em meio a crise, Espanha e Portugal abrem cúpula de Cádiz de olho em ajuda da América Latina

Atualizado em  16 de novembro, 2012 - 06:19 (Brasília) 08:19 GMT
Bandeiras de alguns dos países que participam da Cúpula Ibero-Americana, em Cádis, na Espanha (Foto: Reuters)

Três países europeus e 19 latino americanos participam da cúpula em Cádis

O fortalecimento da cooperação internacional entre a América Latina e a Europa ibérica será um dos temas discutidos na 22ª Cúpula Ibero-Americana, que começa nesta sexta-feira em Cádiz, no sul da Espanha, com a presença da presidente Dilma Rousseff.

O encontro entre os chefes de Estado é realizado no momento em que os países ibéricos enfrentam uma crise econômica que prejudicou a cooperação internacional e veem a América Latina como uma fonte de oportunidades.

Na Espanha, o governo federal cortou este ano cerca de 1,4 bilhão de euros em cooperação internacional e prevê a redução de 10% no orçamento para o Ministério de Assuntos Exteriores e de Cooperação para 2013.

Com esses cortes, a Espanha perdeu prestígio em alguns países, mas a expectativa do governo de Mariano Rajoy é de que a Cúpula de Cádis renove o vínculo com a América Latina e restaure a projeção do país no exterior.

Na próxima segunda-feira, Rajoy recebe Dilma no Palácio da Moncloa com a expectativa de que do encontro saiam alianças para investimentos de empresas espanholas no Brasil, entre outros.

"O Brasil quer dar uma mensagem de bom entendimento. A visita de Dilma é um bom sinal de que aqueles problemas ficaram para trás, e que o debate agora é sobre o futuro das relações econômicas", diz Francesc Bayo, pesquisador de relações entre Europa e América Latina do Cidob (Centro de Estudos e Documentação Internacionais de Barcelona), referindo-se aos conflitos diplomáticos na concessão de vistos entre Brasil e Espanha.

Alianças

Três países europeus e 19 latino-americanos participam da cúpula. O Paraguai ficou de fora desta edição, devido ao mal estar causado no Mercosul com a saída do presidente Fernando Lugo. O bloco sul-americano não reconhece o atual governo.

Segundo Anna Ayuso, pesquisadora principal do Cidob, o Brasil e a América Latina apesar de chegar à cúpula em uma posição bastante favorável, o Brasil não deve assumir o papel de liderança entre os latino-americanos. Para ela, o país tentará no encontro discutir alianças para o intercâmbio de tecnologias, abertura a médias e pequenas empresas, imigração, intercâmbio de acadêmicos e fomento ao turismo.

Bayo ressalta que há interesse em estabelecer novas relações bilaterais, por exemplo, que facilitem os investimentos de empresas de serviços de eletricidade e telefonia da Espanha no Brasil.

Segundo Bayo, como o Brasil vive um crescimento sustentável também em outros ramos, como infraestrutura e engenharia, isso atrai os investidores ibéricos.

Ele afirma que o resultado prático da cúpula deverá ser a manutenção do compromisso de cooperação entre os países ibero-americanos.

Segundo o Itamaraty, o fluxo comercial entre o Brasil e os países ibero-americanos foi de US$ 99 bilhões no ano passado, um aumento de 355% em relação a 2002.

Os investimentos de países ibero-americanos no Brasil também cresceram, passando de US$ 21,6 bilhões em 2000 a US$ 132,6 bilhões em 2010.

No âmbito político, Bayo observa que o Brasil chega com imagem fortalecida após o julgamento do mais importante caso de corrupção.

"O Brasil deu um passo importante para tentar limpar essa modalidade política baseada em troca de favores, a corrupção cotidiana", diz. Para ele, o julgamento do mensalão foi um exemplo de transparência, pois "o Brasil soube reagir e julgar políticos do primeiro escalão".

Entre os temas que devem ser discutidos nestes dois dias, estará a própria continuidade da cúpula, que deverá ser bianual.

Ayuso comenta que nesta cúpula se discutirá a formação de um grupo de especialistas para que torne o sistemamais paritário. "Esta cúpula é o final de um ciclo, porque mudaram as posições da América Latina e da Europa. Esse encontro de Cádis é um ponto final e um novo começo. São necessários projetos mais concretos de cooperação internacional", analisa.

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