Israel mobiliza mais reservistas, e cresce temor de ofensiva terrestre

Atualizado em  17 de novembro, 2012 - 15:39 (Brasília) 17:39 GMT
Ataque em Gaza (AP)

Conflitos continuaram neste sábado, com troca de artilharia aérea

Em meio ao recrudescimento dos enfrentamentos entre o Exército israelense e militantes em Gaza, Israel colocou 75 mil reservistas em alerta para uma possível ação militar, além dos 16 mil que havia convocado recentemente.

A medida reforça os temores de que seja iminente uma ação terrestre contra o território palestino.

Até o momento, segundo a BBC apurou, não foi tomada uma decisão quanto a enviar as tropas para combate. Mas há relatos de que um ministro israelense avisou que uma ofensiva terrestre em Gaza pode ser lançada nas próximas 24 horas.

Os conflitos entre Israel e Gaza continuaram neste sábado, após Israel bombardear 200 alvos em Gaza durante a madrugada - inclusive a casa do premiê palestino Ismail Haniya - e ser atingida por cerca de 60 foguetes.

Um deles, direcionado à cidade de Tel Aviv, foi interceptado.

Estima-se que ao menos 40 palestinos e três israelenses tenham sido mortos desde a morte do líder militar do grupo radical Hamas (que controla a faixa de Gaza), Ahmed Jabari, na última quarta-feira, que serviu de estopim para o recrudescimento da violência.

Não há indícios de que a atual troca de fogo vá arrefecer. Israel afirmou que há centenas de alvos a serem atingidos em Gaza, para impedir que o Hamas continue a disparar foguetes em seu território.

O porta-voz do governo israelense, Mark Regev, disse à BBC que a operação só terminará quando "cidadãos israelenses estiverem seguros" e que todas as opções - incluindo uma incursão terrestre em Gaza - estão em debate.

O editor de Oriente Médio da BBC, Jeremy Bowen, explica que a atual crise é especialmente perigosa, já que a região está em seu momento mais turbulento e instável desde os anos 1950.

'Prontos para invadir'

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Míssil sendo disparado de Gaza a Israel; sirenes voltaram a soar em Tel Aviv

Uma porta-voz militar de Israel disse à BBC que as tropas do país alocadas na área de fronteira com Gaza estão prontas para invadir, caso o governo israelense assim o determine.

Ela afirmou também que o Exército não vê distinção entre alvos militares e políticos do Hamas, alegando que tudo o que estiver ligado ao braço militar do grupo islâmico é considerado "alvo legítimo".

Em Israel, as sirenes de alerta voltaram a soar em Tel Aviv neste sábado, e o Exército israelense afirmou ter interceptado um míssil vindo de Gaza. Outro disparo aéreo atingiu um prédio residencial na cidade portuária de Ashdod, deixando vários feridos.

Do lado palestino, a Cidade de Gaza foi atingida novamente por uma nova série de explosões durante a madrugada.

Parte da sede do Hamas na região foi destruída, segundo testemunhas. O quartel-general do grupo havia sido visitado na véspera pelo primeiro-ministro do Egito, Hisham Qandil.

Em sua conta no Twitter, o correspondente da BBC em Gaza, Jon Donnison, relatou: "Cinco grandes ataques aéreos estão chacoalhando meu quarto agora. Parece perto".

Três membros das brigadas Izz al-Din al-Qassam, a ala militar do Hamas, estariam entre os mortos durante a madrugada.

No campo de refugiados de Jabalia, ao norte da Faixa de Gaza, ao menos 30 pessoas teriam ficado feridas após um míssil destruir a casa de um diretor do Ministério da Informação.

Além dos edifícios do Hamas, os ataques de Israel objetivaram transformadores elétricos e a rede de túneis usados para o contrabando de bens e armas do Egito para Gaza.

'Massacre'

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O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, acusou Israel de promover um "massacre".

Neste sábado, o ministro das Relações Exteriores da Tunísia, Rafik Abdessalem, visitou Gaza para manifestar apoio ao Hamas.

Líderes ocidentais e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, fizeram apelos a ambos os lados para que interrompam a violência.

Em uma conversa telefônica com o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, na sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, reiterou o apoio americano ao "direito de autodefesa" de Israel.

Obama também conversou com o presidente do Egito, Mohammed Mursi. O presidente egípcio classificou os ataques israelenses de "uma clamorosa agressão contra a humanidade" e prometeu que o Egito "não deixará Gaza sozinha".

O Egito é um dos poucos países árabes a manter laços diplomáticos com Israel e tradicionalmente atua como moderador nas disputas entre Israel e palestinos.

Mas os laços entre o Hamas e o Egito se fortaleceram desde que Mursi chegou ao poder, no início do ano. Mursi é integrante da Irmandade Muçulmana, grupo a partir do qual o Hamas se originou.

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