Em crise, Espanha 'flerta' com Brasil de olho em investimentos

Atualizado em  19 de novembro, 2012 - 18:57 (Brasília) 20:57 GMT
Dilma Rousseff, Juan Carlos e Mariano Rajoy / Reuters

Rei Juan Carlos, da Espanha, pediu mais investimentos brasileiros no país

O rei da Espanha, Juan Carlos, pediu nesta segunda-feira à presidente Dilma Rousseff que o Brasil contrate mais espanhóis e convidou as empresas brasileiras a aumentarem o volume de investimento em seu país.

"Nosso país (Espanha) tem uma das economias mais abertas do mundo, legislação favorável, modernas infraestruturas e grande afinidade cultural", e por isso "é uma excelente plataforma para a entrada dessas empresas nos mercados da Europa, Mediterrâneo, Oriente Médio e África", disse.

"A Espanha tornou-se a base europeia para muitas empresas ibero-americanas e queremos que também seja para as brasileiras", explicou.

O monarca também ressaltou que a Espanha possui profissionais altamente qualificados para atender as demandas do mercado brasileiro.

As declarações foram feitas durante a visita da presidente Dilma ao Palácio Real, nesta segunda-feira, na capital da Espanha, Madri.

A Espanha atravessa uma das piores crises em sua história, com um nível de desemprego alarmante e novas ameaças de desintegração territorial.

Mais cedo, Dilma participou de uma reunião bilateral com o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, no Palácio da Moncloa.

Na ocasião, Rajoy disse que o "Brasil é uma potência crescente" e que a "Espanha aposta pelo Brasil mais que nunca".

"O Brasil está dando um salto espetacular. Haverá muitos investimentos nos próximos anos e as empresas espanholas querem ir para lá e é isso que nós queremos, porque acreditamos que podemos contribuir com nossos conhecimentos e experiência", disse Rajoy.

Interdependência

Tanto o primeiro-ministro quanto o rei destacaram a interdependência entre as economias de ambos os países.

No ano passado, o intercâmbio entre o Brasil e a Espanha atingiu cerca de US$ 8 bilhões (R$ 16,8 bilhões), "um recorde histórico, mas ainda pequeno diante do nosso potencial", acrescentou Dilma.

A Espanha é o segundo maior investidor estrangeiro no Brasil e as empresas espanholas vêm gradativamente aumentando sua presença na economia brasileira.

Rajoy lembrou que o Brasil é o primeiro destino dos investimentos espanhóis na América Latina e o segundo no mundo.

Ele acrescentou que, com cerca de 55 bilhões de euros (R$ 146 bilhões) de investimento acumulado, a Espanha concentra quase a metade do investimento espanhol na América Latina.

Mariano Rajoy / Reuters

Mariano Rajoy, primeiro-ministro espanhol, quer participar de leilão do trem-bala brasileiro

Sobre infra-estruturas e transportes, Rajoy informou que as empresas espanholas têm interesse em participar da licitação para a construção do trem-bala que ligará o Rio de Janeiro a São Paulo.

Crise na Europa

Em coletiva de imprensa no Palácio da Moncloa, a presidente brasileira disse não queria dar uma "receita" de como a Espanha deve sair da crise, mas dividir a experiência e os erros do Brasil.

Dilma lembrou a estagnação econômica do Brasil na década de 80, após contrair a dívida com o FMI.

"Só conseguimos sair de uma situação de crise e modificar a situação do Brasil quando combinamos robustez fiscal, ou seja, controle dos gastos públicos com crescimento; quando combinamos controle da inflação com distribuição de renda; quando apostamos no nosso mercado interno e desenvolvemos também uma política de exportações."

Mais tarde, ao rei Juan Carlos, a presidente brasileira disse que "a Europa e a Espanha terão no Brasil um aliado disposto a participar de um pacto em favor do crescimento, da recuperação da demanda global e do emprego".

Dilma criticou reiteradamente a especulação do euro. Para ela, a moeda comum é "uma das maiores conquistas sociais da humanidade" e "não pode desaparecer".

Segundo ela, o euro é importante “não só para a Europa como para o resto do mundo” e serviu de inspiração para o Brasil e a América Latina.

Dilma garantiu, ainda, que o Brasil se coloca numa atitude de "cooperação" com a Espanha, Portugal e os países europeus.

Nos encontros desta segunda-feira, os líderes também discutiram questões migratórias. Rajoy destacou que mais de 100 mil espanhóis vivem no Brasil enquanto mais de 100 mil brasileiros moram na Espanha. Ele disse ainda esperar que esses números aumentem.

Dilma Rousseff / Agência Brasil

Dilma inaugurou sua visita à Espanha em Cádiz, onde participou da 22ª Cúpula Ibero-Americana

O rei Juan Carlos também lembrou que houve uma melhoria notável na entrada de cidadãos na Espanha e no Brasil, em alusão às repatriações ocorridas no início do ano e que provocaram um incidente diplomático entre os dois países.

Homenagem

Ao fim do encontro, a presidente Dilma recebeu como homenagem do rei Juan Carlos e da rainha Sofia o Grande Colar da Ordem de Isabel, a Católica.

No almoço oferecido a ela no Palácio Real, a presidente se referiu à Espanha como uma "nação querida à qual o Brasil se vincula por laços históricos de amizade e cooperação".

O primeiro encontro do dia foi com estudantes brasileiros do programa Ciências Sem Fronteiras, na Casa do Brasil.

A visita à Espanha foi concluída após a participação em um seminário sobre crescimento econômico do Brasil, com a presença de empresários espanhóis e brasileiros, no Teatro Real.

A jornada de Dilma no país teve início na última sexta-feira, 16, em Cádiz, na 22ª Cúpula Ibero-Americana.

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