PIB frustra expectativas e cresce 0,6% no 3º trimestre

Atualizado em  30 de novembro, 2012 - 14:02 (Brasília) 16:02 GMT
Colheita da soja em Tangará da Serra, Cuiabá (Reuters/arquivo)

Setor agropecuário teve crescimento de 2,5%

Dados divulgados nesta sexta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que a economia brasileira cresceu apenas 0,6% no terceiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período anterior, frustrando expectativas de que os vários estímulos adotados pelo governo federal neste ano surtissem efeitos mais profundos.

Na comparação com o mesmo trimestre de 2011, a expansão foi um pouco maior, de 0,9%.

Os únicos destaques positivos na relação entre o terceiro e o segundo trimestres deste ano foram o setor agropecuário, com crescimento de 2,5%, e a indústria, com 1,1%. O setor de serviços encerrou o período em estagnação.

Quanto à demanda, os investimentos, considerados fundamentais para que o país obtenha um ciclo de crescimento mais duradouro, caíram 2%, sua quinta redução consecutiva. Houve, porém, aumento de 0,9% no consumo das famílias.

As exportações cresceram 0,2%, ao passo que as importações, descontadas do cálculo do PIB, caíram 6,5%.

A maioria das consultorias e instituições financeiras esperava que o PIB (Produto Interno Bruto, soma de todas as riquezas produzidas no país) crescesse em torno de 1,2% no terceiro trimestre, reagindo às ações do governo federal para aquecer a economia.

Segundo o ministro da Fazenda, Guido Mantega, o resultado indica que as medidas governamentais ainda não surtiram todos os efeitos. Mesmo assim, ele diz que o crescimento de 0,6% indica que a "economia brasileira está em trajetória de recuperação e aceleração do crescimento".

"No primeiro semestre, houve crescimento de 0,1% e, no segundo, de 0,2%. Portanto, a recuperação está ocorrendo, e principalmente nos setores que mais nos preocupavam, o industrial e o agropecuário", afirmou.

Em nota, o Banco Central disse que "a indústria e a agropecuária, em certa medida, mostraram reação aos estímulos introduzidos na economia, e a estabilidade do setor de serviços refletiu eventos que tendem a não se repetir".

Segundo o banco, porém, "a lenta recuperação da confiança contribuiu para que, até o momento, os investimentos ainda não mostrem reação aos estímulos introduzidos na economia."

Segundo o último Boletim Focus do Banco Central, que reúne projeções do mercado, a economia brasileira crescerá 1,5% em 2012.

Crescimento futuro

Para o economista Antonio Madeira, da consultoria LCA, a menos que os índices de investimento reajam, a economia brasileira continuará com crescimento baixo nos próximos trimestres.

Ele prevê, no entanto, um cenário mais otimista no próximo ano. Segundo ele, deverá haver uma estabilização na taxa de investimento nos próximos meses em virtude de algumas medidas adotadas pelo governo.

Entre elas, cita a adoção da depreciação acelerada na compra de bens e equipamentos neste ano.

A depreciação acelerada é um mecanismo que permite a indústrias que invistam em bens e equipamentos uma redução no imposto a pagar. A medida tende, portanto, a estimulá-las a se equipar.

Outra ação do governo foi a criação de uma linha do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) com juros anuais baixos (2,5% ao ano) para quem comprar caminhões, máquinas e equipamentos.

"São incentivos fiscais e de créditos muito importantes, que devem alavancar vendas e investimentos neste fim de ano", afirma Madeira.

Ele espera ainda tendência de melhora no próximo ano em razão dos seguintes motivos: crê que o consumo das famílias manterá boa performance; que o BNDES continuará oferecendo linhas de crédito com juros baixos, que a economia global apresentará ligeira melhora e que o setor público brasileiro aumentará os investimentos.

Recentemente, os Estados receberam autorização para aumentar seu endividamento em quase R$ 60 bilhões. Madeira acredita que boa parte dos novos gastos, que poderão ser financiado com linha de crédito do governo federal, serão em infraestrutura.

"O ano que vem é o momento para começar obras que serão concluídas em 2014, um ano eleitoral."

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