Em meio a desaceleração, Brasil se fecha em 'modelo chinês', diz jornal

Atualizado em  4 de dezembro, 2012 - 08:17 (Brasília) 10:17 GMT
Dilma Rousseff no Salão do Automóvel de São Paulo

Para jornal, medidas do governo brasileiro para proteger indústria preocupam os Estados Unidos

A desaceleração econômica iniciada no ano passado levou o governo brasileiro a fechar seu mercado e buscar inspiração na China, segundo avaliação de reportagem publicada na edição desta terça-feira do diário americano The Washington Post.

De acordo com o jornal, medidas tomadas nos últimos meses, como o aumento de tarifas de importação de peças automotivas, geram preocupação no governo americano com o crescente protecionismo brasileiro.

"A desaceleração econômica e a resposta do governo a isso são uma crescente preocupação entre autoridades americanas, temerosas de que o Brasil possa estar adotando um novo rumo agressivo - se afastando do caminho que os Estados Unidos defenderam com sucesso para o México, a Colômbia e outras nações latino-americanas, e em direção ao capitalismo dirigido pelo Estado que os Estados Unidos vêm lutando para mudar na China", afirma a reportagem.

"Enquanto a economia global luta por políticas comuns que possam estimular uma recuperação ainda incipiente, o impulso na direção do protecionismo por um influente país em desenvolvimento é visto em Washington como um retrocesso", diz o texto.

O diário observa que o governo brasileiro argumenta que as medidas são uma proteção temporária para ajudar o país a enfrentar a concorrência da mão de obra barata da China e do crédito barato gerado pela política de relaxamento monetário do banco central dos Estados Unidos.

'Posição desonrosa'

A reportagem comenta que a voz do Brasil sobre questões econômicas e de comércio global vem ganhando força, pelo fato de o país ter tirado uma grande parcela da população da pobreza, além de ter grandes reservas de recursos naturais e de ter alcançado o posto de sexta maior economia mundial.

Apesar disso, observa o jornal, o revés econômico recente "obscureceu a teoria aceita de que as economias emergentes poderiam sozinhas manter o sistema global estável e crescendo" num momento em que os países desenvolvidos enfrentam graves crises.

"As autoridades e as empresas americanas vêm defendendo laços americanos mais profundos com nações como a China e o Brasil com a expectativa de que, mesmo que a capacidade industrial e os empregos sejam transferidos para esses locais, seu crescimento e sucesso beneficiariam os Estados Unidos - uma estratégia que presume que esses mercados se abram de maneira constante", diz o jornal.

Para a reportagem, apesar do "milagre" econômico da última década, com o controle da inflação e das contas públicas e da elevação de 35 milhões de pessoas à classe média, o Brasil ainda não conseguiu desenvolver sua indústria a ponto de deixar de depender de seus recursos naturais e do consumo interno para crescer.

O Washington Post conclui afirmando que "a situação deixa um ambiente econômico complicado" e observa que um recente estudo do Banco Mundial colocou o país como 130º entre 185 países em um ranking sobre facilidade para fazer negócios. Para o jornal, "uma posição desonrosa para um país que tenta se apresentar como um modelo global".

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