Salários no Brasil aumentaram mais que o dobro da média mundial, diz OIT

Atualizado em  7 de dezembro, 2012 - 09:20 (Brasília) 11:20 GMT
Trabalhadores realizam obras na Arena Permambuco, em Recife (BBC)

Salários cresceram 2,7% no Brasil em 2011

Os salários no Brasil cresceram no ano passado mais do que o dobro da média mundial, de acordo com um estudo da Organização Internacional do Trabalho (OIT) publicado nesta sexta-feira.

Os salários dos brasileiros tiveram um aumento médio real (descontada a inflação) de 2,7% em 2011, enquanto globalmente o crescimento foi de apenas 1,2%, segundo a organização.

Se a China for retirada dos cálculos, os salários médios reais cresceram apenas 0,2% mundialmente, afirma o relatório. A organização ressalta que os dados oficiais sobre os salários na China em 2011 ainda não estão disponíveis e que os cálculos foram feitos com base na taxa de crescimento médio salarial anual na China, que tem sido de 12% nos últimos anos.

Em 2010, os salários reais no Brasil - que registraram aumento de 3,8% - já haviam crescido bem mais do que a média mundial, de 2,1%. Segundo a OIT, os salários globais têm aumentado nos últimos quatro anos (no período de 2008 a 2011) a um ritmo bem mais fraco do registrado antes da crise iniciada em 2008.

Em 2007, o crescimento mundial dos salários havia sido de 3% (no Brasil ele foi de 3,2%).

Impacto desigual

''Esse relatório mostra claramente que a crise teve em inúmeros países um impacto importante sobre os salários'', afirma o diretor-geral da OIT, Guy Ryder. ''No entanto, esse impacto não foi uniforme'', acrescenta.

O estudo revela que existem fortes disparidades regionais: enquanto nas economias desenvolvidas os salários mensais sofreram contração em 2008 e também 2011 (diminuição de 0,5%) em razão da diminuição de horas extras e do aumento de empregos precários, com jornadas de meio período, na América Latina e sobretudo na Ásia houve crescimento contínuo nesse período pós-crise.

O relatório Salários Mundiais 2012/2013 da OIT ressalta que os dados positivos dos salários na América Latina ''são fortemente influenciadas por países como o Brasil''.

A OIT analisou o desempenho da evolução dos salários na América Latina no período de 2006 a 2011 e constatou que vários países da região, sobretudo na América Central e no Caribe, tiveram uma degradação em 2008 e 2010.

''Em 2008, os salários reais sofreram contração em dez dos 14 países da América Latina analisados. Em 2010, isso ocorreu em seis países'', diz o estudo. No Brasil, o aumento foi de 3,4% em 2008.

O relatório também revela que em pouco mais de uma década, entre 2000 e 2011, os salários médios reais aumentaram 22,8% em nível mundial.

Desempenho chinês

Na Ásia, os salários quase dobraram no mesmo período. A melhor performance é a da China, onde eles triplicaram nesse prazo, com taxa de crescimento anual média de 12%, ''o que suscita questões sobre o eventual fim da mão de obra barata na China'', diz a OIT.

Na América Latina e no Caribe, o crescimento dos salários na última década foi de 15,1%, abaixo da média mundial. Mas nas economias desenvolvidas, o aumento no período foi de apenas 5%, diz a OIT.

No leste europeu e na Ásia central, os salários também quase triplicaram na última década, mas a OIT ressalta que o aumento decorre essencialmente da transformação desses países em economias de mercado.

Apesar do crescimento dos salários reais nas economias emergentes, mesmo durante a crise, existem diferenças consideráveis nos níveis de salários de um país para outro, diz o estudo.

Um operário industrial brasileiro ganha, por hora de trabalho, US$ 5,40, a metade do que é pago por hora trabalhada nesse setor na Grécia e menos do que na Argentina (US$ 8,68), República Checa ou Eslováquia.

Nos Estados Unidos, um operário industrial ganha US$ 23,32 por hora trabalhada e, na Alemanha, U$ 25,80.

A OIT afirma ainda que a produtividade dos trabalhadores aumentou (devido às inovações tecnológicas) duas vezes mais do que os salários nas economias ricas nas últimas duas décadas.

Nos Estados Unidos, a produtividade aumentou 85% nesse período, enquanto os salários subiram apenas 35%.

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