Apoio a líder egípcio polariza manifestantes no Cairo

Atualizado em  10 de dezembro, 2012 - 19:38 (Brasília) 21:38 GMT
Morsi / AP

Para opositores, Morsi não representa povo egípcio.

O caminho é longo entre Moqatam, nos arredores do Cairo, onde se localiza a sede da Irmandade Muçulmana, e o palácio presidencial de Masr el-Gedida.

Mas o que separa os dois pontos não são só as longas estradas e o trânsito infernal do Cairo, a capital egípcia.

A jornada é como uma viagem entre dois países diferentes - dois lugares em lados opostos da história do país.

Em Moqtam, centenas de pessoas reuniram-se em apoio ao presidente egípcio, Mohammed Morsi, e ao referendo sobre o rascunho da Constituição.

Ali, ouviam-se correligionários entoando cânticos a favor do mandatário e também da condenação de seus opositores.

"As pessoas estão com o presidente", gritou um grupo de homens.

Adolescentes também seguravam cartazes de apoio, dizendo "Sim para a Constituição". Outros hasteavam bandeiras do Egito e da Irmandade Muçulmana.

Uma mulher vestindo uma túnica preta aproximou-se de um homem segurando uma bandeira verde da Irmandade Muçulmana. "Segure apenas a do Egito", disse ela.

"Nós queremos dizer que Morsi é presidente do Egito e não só representa a Irmandade Muçulmana. Por favor, entenda a importância disso. Trata-se de jogo político", ela falou.

Tal discussão é hoje o principal elemento polarizador da sociedade egípcia.

De um lado, os apoiadores da Irmandade Muçulmana sentem-se confortáveis em apoiar um presidente eleito, segundo eles, por uma ampla maioria da população.

"Mesmo se fosse 51%, seríamos ainda assim uma maioria", disse.

De outro, entretanto, manifestantes do outro lado da cidade, nos arredores do palácio presidencial, argumentam que não consideram o atual líder egípcio como seu representante, apenas da Irmandade Muçulmana.

"Você não pode ser presidente apenas de uma comunidade; é preciso desempenhar tal papel para todos", defende uma manifestante.

"Não se trata mais da Constituição. Nós queremos a saída de Morsi", acrescenta.

Em meio ao arame farpado e às barricadas, a jovem e seus amigos direcionavam seus olhares ao palácio e encenavam um "adeus".

"Tchau tchau Morsi", dizia uma delas. "Yalla', ele tem de ir embora".

Os cartazes e a pichação nos muros do palácio presidental tinham todos a mesma mensagem.

"Morsi, vá embora com seus bandidos", gritava um manifestante.

"Abaixo o líder supremo", bradava outro, referindo-se a Morsi.

Revolução

Os protestos nos arredores do palácio presidencial são uma reminiscência da Praça Tahrir, que, ao fim de 18 dias, levou a renúncia do então presidente do Egito, Hosni Mubarak.

Naquele local, pais levam as fotos de seus filhos com tanques e militares.

O arame farpado e as barricadas dividem espaço com cadeiras de plástico espalhadas como se fossem a área externa de um café ou qualquer outro estabelecimento comercial.

O odor mais comum é de milho queimado e de spray de grafite.

Entretanto, os dois movimentos de oposição - o que derrubou o ex-presidente do Egito e o que tenta, atualmente, depor seu sucessor - são diferentes.

Durante a revolução contra Mubarak, havia um forte sentimento de união no país. Naquele momento, dois polos opunham-se: as pessoas e o regime do ex-líder.

Agora, contudo, o Egito está mais polarizado. São pessoas contra pessoas.

O maior temor, portanto, não se restringe à escalada da violência, mas à divisão de um país que se esforça para alcançar estabilidade.

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