Filha de líder polêmico será 1ª mulher a presidir Coreia do Sul

Atualizado em  20 de dezembro, 2012 - 10:53 (Brasília) 12:53 GMT
Park Geun-hye

Park Geun-hye enfrentou preconceito de eleitores do sexo masculino, segundo analistas

Park Geun-hye, do partido Saenuri (Nova Fronteira), será a primeira mulher presidente da Coreia do Sul - o país desenvolvido com a maior desigualdade de gêneros, segundo ranking do Fórum Econômico Mundial.

Park, de 60 anos, filha do ex-líder Park Chung-hee (1961-1979), foi eleita na quarta-feira.

Quando tinha apenas 22 anos, ela foi empurrada para os holofotes políticos ao se tornar a primeira-dama após o assassinato de sua mãe, em 1974, por um atirador norte-coreano que tentava matar seu pai.

Por cinco anos, Park foi encarregada de receber as esposas de chefes de Estado estrangeiros em visita oficial à Casa Azul, a residência presidencial sul-coreana.

Seu pai, que tomou o poder em um golpe militar em 1961, governou o país até ser assassinado por seu próprio chefe do serviço secreto, em 1979.

Alguns comentaristas dizem que a associação com seu pai - e sua experiência como primeira-dama - a ajudou a superar o forte preconceito entre os eleitores do sexo masculino.

Mas se Park Chung-hee recebeu boa parte do crédito pelo desenvolvimento acelerado da economia sul-coreana, ele também foi acusado de reprimir fortemente a oposição e de impedir o desenvolvimento da democracia no país.

O legado familiar de Park Geun-hye marca sua carreira política. Em setembro, ela fez um pedido público de desculpas por abusos aos direitos humanos cometidos durante o governo de seu pai.

Porém, ela também descreveu o golpe de 1961 como necessário, o que afastou alguns eleitores jovens que esperavam que ela rejeitasse completamente o período de seu pai.

Coreia do Norte

Formada em engenharia pela Universidade Sogang, de Seul, Park foi eleita pela primeira vez à Assembleia Nacional da Coreia do Sul em 1998.

Ela tentou se candidatar pela primeira vez à Presidência em 2007, mas seu partido acabou indicando como candidato Lee Myung-bak, que venceu a eleição.

Solteira - algo que a expôs a comentários críticos na sociedade altamente conservadora do país -, ela é vista como uma pessoa reservada.

Muitos esperam que sua ascensão à Presidência ajude a mudar os antigos hábitos patriarcais confucianos que permeiam a sociedade sul-coreana, segundo analistas.

Como parte de sua campanha presidencial, Park prometeu priorizar a "reconciliação nacional" e melhorar a "democracia econômica" e o bem-estar social.

Ela também prometeu aumentar a distribuição de renda, reformar os grandes conglomerados do país e trabalhar por um maior engajamento com a Coreia do Norte.

Mas ela é vista como mais cautelosa sobre todos esses temas do que o candidato progressista que ela derrotou, Moon Jae-in.

Por isso, alguns analistas avaliam que a nova presidente manterá a linha dura em relação ao regime norte-coreano adotada durante os cinco anos de governo de Lee Myung-bak.

Leia mais sobre esse assunto

Tópicos relacionados

BBC © 2014 A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo de sites externos.

Esta página é melhor visualizada em um navegador atualizado e que permita o uso de linguagens de estilo (CSS). Com seu navegador atual, embora você seja capaz de ver o conteúdo da página, não poderá enxergar todos os recursos que ela apresenta. Sugerimos que você instale um navegados mais atualizado, compatível com a tecnologia.