Intelectuais chineses fazem petição por reforma política

Atualizado em  26 de dezembro, 2012 - 15:21 (Brasília) 17:21 GMT
Xi Jinping (Foto AP)

Xi Jinping prometeu combater a corrupção no país, mas reforma política ainda é tabu

Mais de 70 proeminentes acadêmicos e advogados chineses assinaram um documento conclamando o Partido Comunista (PC) a fazer reformas políticas e econômicas no país.

Entre as reformas reivindicadas pelo grupo de intelectuais estão uma separação entre o governo e o Partido Comunista, a independência do Judiciário do país, liberdade de expressão e associação e o fim da censura na Internet.

Os intelectuais também pedem mais incentivos à iniciativa privada e liberdade para os chineses escolherem seus representantes sem a interferência do PC.

Eles não fazem, porém, nenhuma menção ao fim do regime de partido único, nem à liberação de presos políticos - o que levou alguns ativistas a classificarem a carta como "moderada".

A petição, com 71 assinaturas, foi divulgada por meio do blog de Zhang Qianfan, professor de direito da Universidade de Pequim.

Em entrevista à agência Associated Press (AP), Zhang defendeu que a China poderia terminar sendo palco de uma nova revolução e experimentar um período de caos caso o governo não aceite fazer algumas reformas.

Um dos signatários da petição, o economista Zhong Dajun, defendeu em entrevista à BBC que as lideranças chinesas devem respeitar "valores universais" em seus esforços para manter características nacionais chinesas.

Contexto

A carta defendendo reformas políticas foi divulgada em meio a um processo de troca de lideranças no governo e no Partido Comunista chinês.

O novo líder do País, Xi Jinping, prometeu fazer uma guerra à corrupção no país, mas reformas políticas ainda são um tabu.

Recentemente, Xi defendeu que os integrantes do partido devem dar o exemplo ao resto da população, seguindo à risca as leis do país.

A petição divulgada por Zhang afirma que essa declaração alimentou as esperanças de melhoras de curto prazo na governança chinesa e diz que a atual Constituição chinesa prevê uma série de liberdades que não se materializam na prática no país.

Em 2008, o manifesto conhecido como Carta 08 fez uma defesa direta das reformas democráticas e do fim do sistema de partido único na China.

Seu principal articulador, o escritor dissidente Liu Xiaobo, foi condenado a 11 anos de prisão por incitar a subversão e, em 2010, ganhou o Prêmio Nobel da Paz.

"Esperamos que (nossa petição) possa ser aceita pelo governo e dê origem a diálogos com a população e entre o público em geral", disse Zhang à AP.

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