Tabloide britânico eleva tensão sobre Malvinas com anúncio em jornal argentino

Atualizado em  4 de janeiro, 2013 - 08:10 (Brasília) 10:10 GMT
Carta aberta no tabloide The Sun

Tabloide britânico disse que moradores das ilhas devem decidir seu próprio futuro

O tabloide britânico The Sun publica nesta sexta-feira em um jornal argentino um anúncio em que defende a soberania britânica sobre as Ilhas Malvinas e pede que a Argentina "mantenha as mãos" longe do arquipélago.

O anúncio responde a uma carta aberta da presidente argentina, Cristina Kirchner, publicada na quinta-feira nos jornais britânicos The Guardian e The Independent, em que ela exige que o primeiro-ministro britânico, David Cameron, inicie negociações imediatas sobre o futuro das ilhas.

A mensagem do The Sun, publicada em inglês e espanhol no jornal Buenos Aires Herald, alega que a reivindicação do controle sobre as ilhas (chamadas na Grã-Bretanha de Falklands ou Ilhas Falkland) pela Argentina seria infundada e que a soberania britânica sobre o território data de 1765.

"As ilhas nunca foram governadas ou fizeram parte do território soberano da República da Argentina", diz o anúncio.

"Até que o povo das Ilhas Falkland opte por ser argentino, eles continuam resolutamente britânicos. Em nome de nossos milhões de leitores e em outras palavras: MANTENHA AS MÃOS LONGE", conclui, usando letras maiúsculas para maior ênfase.

'Provocação'

De acordo com alguns analistas, a publicação do anúncio pelo The Sun pode ser interpretada como "provocação" na Argentina.

É o caso da jornalista argentina Celina Andreassi, que disse à BBC acreditar que muitos no país se perguntariam "o que o The Sun tem a ver com isso, mas, novamente, os argumentos defendidos pelo The Sun são os mesmos defendidos geralmente pelos britânicos".

"Vivo aqui na Argentina há sete anos e nunca encontrei um argentino que não acreditasse que as Falklands pertencem à Argentina", disse Daniel Schweimler, um jornalista britânico.

"Nunca senti qualquer animosidade contra mim quando digo que sou britânico, mas é justo falar que quase todos, num país de 40 milhões de pessoas, acreditam que as Malvinas pertencem a eles."

'Colonialismo'

Na carta publicada na quinta-feira no The Guardian, Kirchner pede que as autoridades britânicas acatem uma resolução de 1965 da ONU pedindo uma revisão do status das ilhas, que a Grã-Bretanha vê como parte de seu território ultramarino.

A presidente atribui na carta o controle de Londres sobre as ilhas ao colonialismo britânico do século 19.

"Os argentinos das ilhas foram expulsos pela Marinha Real (britânica), e o Reino Unido subsequentemente iniciou um processo de assentamento populacional similar ao adotado em outros territórios sob domínio colonial", disse Kirchner.

"Desde então, a Grã-Bretanha, a potência colonial, tem se recusado a devolver os territórios à República Argentina, impedindo a restauração de sua integridade territorial."

Em resposta, o governo britânico alegou que não haverá negociações sobre a soberania das ilhas enquanto a população local desejar permanecer ligada à Grã-Bretanha.

"Eles (os moradores do arquipélago) permanecem livres para escolher seu próprio futuro, tanto politicamente quanto economicamente, e têm o direito à autodeterminação conforme o estabelecido pela Carta da ONU", disse uma porta-voz do Ministério do Exterior britânico, se referindo ao documento de fundação das Nações Unidas.

"Há três lados neste debate, não apenas dois como a Argentina gosta de insinuar", continua a carta. "Os moradores da ilha não podem ser simplesmente apagados da história."

Os dois países travaram uma guerra em 1982 pelo controle das ilhas.

Um plebiscito sobre o status político das Malvinas deve ser realizado no arquipélago no próximo mês de março.

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