Órgão revê previsão de aquecimento global

Atualizado em  8 de janeiro, 2013 - 17:30 (Brasília) 19:30 GMT

Porta-voz do centro britânico destaca que ainda há tendência a longo prazo de aquecimento global

O Met Office, o centro nacional de meteorologia britânico, revisou uma de suas previsões sobre o quanto o mundo ficará mais quente nos próximos anos. A nova projeção calcula que o aumento na temperatura pode ser menor do que o previsto anteriormente.

Segundo o novo estudo, é provável que, até 2017, a temperatura aumente 0,43º C em relação à média calculada a longo prazo – enquanto a projeção anterior sugeria o aquecimento global de 0,54º C.

O centro afirma que a mudança ocorreu porque foi usado um novo tipo de modelo de computador, que utiliza parâmetros diferentes. Se a nova previsão se mostrar correta, a temperatura média global teria permanecido praticamente a mesma por cerca de duas décadas.

Para os chamados céticos, que acreditam não haver provas suficientes para provar a existência de um aquecimento global, uma aparente estabilização das temperaturas representa um sinal de que os alertas sobre a ameaça do aquecimento global foram exagerados.

Alguns blogueiros ligados ao mundo científico disseram achar suspeito que o Met tenha publicado os dados no dia 24 de dezembro, sem nenhuma divulgação prévia. Já o centro afirmou que levou em conta a importância da transparência, e, por isso, divulgou os dados assim que eles foram obtidos.

Décadas anteriores

Um porta-voz do Met Office disse, no entanto, que "a nova previsão definitivamente não sugere temperaturas mais baixas, já que ainda há uma tendência a longo prazo de aquecimento global, se compararmos com os anos 50, 60 e 70".

"Nossa previsão é a de temperaturas que estarão próximas ao níveis recordes que vimos nos últimos anos."

As previsões são baseadas em uma comparação com a média de temperatura global no período entre 1971 e 2000.

O modelo anterior projetava que o período de 2012 a 2016 seria 0,54º C mais quente que a média – com uma margem de erro de 0,36 a 0,72º C.

Já o novo modelo prevê um aumento cerca de 20%, de 0,43º C - com uma margem de 0,28% a 0,59%.

Essa temperatura seria apenas um pouco mais alta do que o ano recorde, 1998, quando acredita-se que o fenômeno conhecido como El Niño tenha causado mais calor.

Cientistas climáticos do Met Office e de outros centros vêm tentando entender o que está acontecendo no período mais recente.

A explicação mais óbvia baseia-se em uma variação natural, com ciclos de mudanças na atividade solar, na temperatura e nos movimentos dos oceanos.

Experimental

O porta-voz afirmou ainda que como a variação natural é baseada em ciclos, esses fatores podem mudar em algum ponto.

O centro britânico procurou ressaltar que o novo projeto é resultado de um trabalho experimental lançado em 2004 e que ele não altera as projeções de longo prazo do órgão. O estudo atual teria como objetivo preencher a lacula entre as previsões do tempo diárias e as que analisam as mudanças climáticas em um século.

No entanto, essa é uma área da ciência que está em expansão e é altamente complexa, já que envolve vários fatores naturais e outros criados pelo homem, como o efeito estufa, em um momento em que ainda não foram esclarecidas questões-chave ligadas a temperatura, especialmente nas áreas profundas do oceano.

Um dos objetivos de tentar projetar o clima nesse período de tempo é fazer com que seja possível checar rapidamente a precisão dos modelos usados atualmente.

Um estudo publicado em novembro no periódico Climate Dynamics, escrito por cientistas do Met Office e de outros 12 centros de pesquisas internacionais, alia diferentes modelos para produzir uma previsão para a próxima década.

"Uma projeção climática que leva em conta o período de uma década é algo ainda imaturo ou fatores externos que atuam na mudança climática ainda incertos podem levar a erros grosseiros nas previsões", diz o documento.

No entanto, o estudo conclui que, "na ausência de erupções vulcânicas, a temperatura global deve continuar a aumentar, sendo que cada ano a partir de 2013 tem uma probabilidade de 50% de exceder o recorde em questão."

Análises e críticas às previsões do Met Office ou da ciência climática em geral devem ganhar força à medida que se aproxima a próxima reunião climática da ONU (IPCC), em setembro.

* O segundo parágrafo da matéria foi alterado para ficar mais claro que a diferença se refere a uma projeção a longo prazo.

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