Manifestantes celebram 'posse simbólica' de Chávez

Atualizado em  10 de janeiro, 2013 - 22:00 (Brasília) 00:00 GMT
Venezuelanos mostram apoio a Chávez (foto: Reuters)

Milhares de pessoas participam de manifestação de apoio a Hugo Chávez em Caracas

Milhares de pessoas saíram às ruas de Caracas em uma manifestação de apoio ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez. O ato deu um peso popular à decisão da Justiça que autorizou a continuidade do governo - adiando a cerimônia de posse que deveria ter acontecido nesta quinta-feira com a presença do presidente.

Com a celebração, convertida numa posse simbólica, o Executivo tenta dar uma demonstração de força e unidade, diante da ausência de seu líder. Também fortalece a figura do vice-presidente, Nicolás Maduro, apresentado como o "administrador" da revolução, devido à ausência de Chávez.

Nas ruas, o clima de consternação - que prevalecia desde que o presidente sofreu complicações em sua quarta cirurgia para combater um câncer - deu lugar a um ambiente festivo.

"Chávez é o povo, por isso, estamos aqui para tomar posse no seu lugar e para dar continuidade à revolução", afirmou à BBCBrasil a educadora Luisa Lizardo, que viajou oito horas para participar da manifestação.

Recitando vários artigos da Constituição e vestida com uma faixa presidencial feita de tecido e bordada com a frase "Yo Soy Chávez" (Eu sou Chávez), Lizardo disse que o texto garante a continuidade do governo. "Nós ganhamos as eleições em outubro e não vamos permitir que nos roubem o mandato. A decisão das urnas não pode ser ignorada. Chávez é o presidente", disse.

Essa é a primeira vez na história do país que haverá continuidade da gestão sem que o presidente eleito preste juramento diante da Assembleia Nacional. A "situação especial", defendida pelo governo, foi analisada pela Justiça que determinou , na quarta-feira, a "continuidade administrativa" do governo - dando fim a uma polêmica que se arrastava há dias sobre quem deveria assumir a Presidência do país.

De acordo com a Justiça, Chávez poderá "formalizar" sua posse, em outro momento, perante a Corte, ainda sem data marcada.

Com este parecer - diferente do que exigia a oposição- Chávez continua sendo o presidente e seu gabinete permanece intacto, em exercício de suas funções.

"Que ninguém se confunda, o Tribunal ditou uma sentença que para a maioria deveria ser palavra sagrada", afirmou o vice-presidente Nicolás Maduro. "Se não reconhecem este governo, se não me reconhecem, eu não estou obrigado a reconhecê-los", afirmou Maduro em referência à ala radical da oposição que questiona o parecer da Corte.

Apesar de controvertida, a decisão da Justiça foi acatada pela ala moderada da oposição venezuelana, que inclui o governador de Miranda e ex-candidato presidencial Henrique Capriles, para quem a decisão da Corte "resolve um problema que o governo tem", afirmou.

Juramento

A uma quadra do palácio de Miraflores, sede do governo, a multidão era embalada por um rap cujo refrão sentenciava quem continua no comando do país: "Chávez é o líder, não se esqueça".

Maduro pediu aos manifestantes para jurarem lealdade à revolução, à Chávez e à Constituição. Com a mão direita erguida, cada frase sua era repetida em coro pela multidão.

Essa é a primeira vez que um chamado do governo, sem Chávez, consegue reunir uma multidão, desde que o líder venezuelano fora diagnosticado com câncer, há um ano e meio. "Temos fé que ele voltará são e salvo. E se não for assim, aqui está Maduro, mas dele vamos cobrar ainda mais", afirmou a assistente administrativa Alexia Cipriano.

Indicado por Chávez como "herdeiro político", Maduro foi reconhecido, em coro, como dirigente-sucessor, consolidando sua imagem como eventual presidenciável. "Com Chávez e Maduro, o povo está seguro", gritou a multidão.

Onipresente, a gravação do hino nacional cantado por Chávez antecedeu os discursos dos líderes latinoamericanos e do vice-presidente Nicolás Maduro. A celebração foi acompanhada pelos presidentes da Bolívia, Evo Morales, do Uruguai, José Mujica, do nicaraguense, Daniel Ortega, do ex-presidente do Paraguai Fernando Lugo, dos chanceleres da Argentina e Equador e de altos funcionários de vários países do Caribe.

Há um mês Chávez não é visto, nem ouvido. Ele continua hospitalizado em Cuba, desde 11 de dezembro, "lutando" para combater uma "severa" infecção pulmonar, fruto de sua quarta cirurgia para combater um câncer.

A oposição cobra mais detalhes sobre o estado de saúde do mandatário. Para o ministro da Comunicação, Ernesto Villegas, as informações dadas sobre a saúde do presidente são "suficientes". "É mórbido", exigir mais detalhes, afirmou.

Chávez foi reeleito para o período 2013-2019 em outubro do ano passado.

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