Juiz da Suprema Corte dos EUA quebra silêncio, mas não é compreendido

Atualizado em  16 de janeiro, 2013 - 12:08 (Brasília) 14:08 GMT
Clarence Thomas (Reuters)

Clarence Thomas não perguntava em audiência desde fevereiro de 2006

Conhecido como o "juiz silencioso" da Corte Suprema dos Estados Unidos, o magistrado Clarence Thomas surpreendeu o país ao fazer uma pergunta publicamente pela primeira vez desde fevereiro de 2006.

O problema é que ninguém entendeu muito bem o que ele disse.

Na última segunda-feira, Thomas - que não havia feito sequer um questionamento em audiência durante quase sete anos e raramente abre a boca - questionou um advogado que apresentava um caso.

Segundo testemunhas ouvidas pela imprensa americana, ele perguntou se advogados formados em universidades da Ivy League (grupo de universidades de elite dos Estados Unidos) haviam representado um cliente de forma correta.

A transcrição oficial da Corte só conseguiu captar quatro palavras da frase de Thomas: "well, he did not" (bem, ele não o fez), segundo a rede CBS. O sentido da frase, porém, não ficou totalmente claro para os ouvintes.

A interpretação mais corrente é de que Thomas - que tem laços rompidos com sua universidade, Yale - quis dizer que um diploma universitário de elite não necessariamente significa que o advogado é qualificado.

Inibido

Thomas, de 64 anos, o segundo juiz negro a ser nomeado à mais alta corte dos Estados Unidos, havia indicado em declarações passadas que evita fazer perguntas em audiência para dar aos advogados a chance de apresentar seus casos.

Ele também se diz inibido por sua própria fala, alegando que era vítima de gozações na infância por causa do dialeto que aprendeu a falar no Estado da Geórgia. Assim, desenvolveu o hábito de não fazer perguntas durante seus anos universitários.

Thomas é o único integrante do mais alto tribunal americano que evita fazer questionamentos.

Durante seu incomum pronunciamento na segunda-feira, Thomas e os demais oito membros da Suprema Corte estavam em audiência do caso Boyer x Louisiana, em que Jonathan Boyer tenta reverter sua condenação por homicídio, argumentando que ficou sete anos detido antes de seu julgamento.

Os advogados de Boyer dizem que seu direito constitucional foi violado. Uma questão debatida é se os advogados indicados pela corte para representar Boyer no início do caso eram qualificados para o processo.

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