Programador nos EUA é demitido por terceirizar trabalho na China

Atualizado em  17 de janeiro, 2013 - 06:38 (Brasília) 08:38 GMT

Programador passaria seus dias surfando na internet e assistindo a vídeos no YouTube

Um programador de software americano foi demitido após a empresa em que trabalhava ter descoberto que ele estava "terceirizando" seu trabalho na China.

O funcionário, de 40 e poucos anos, estaria pagando menos de um quinto de seu salário a um programador baseado na cidade Shenyang para que fizesse seu trabalho.

Segundo a empresa, em vez de trabalhar, ele passava os dias assistindo a vídeos no YouTube e surfando na internet, principalmente em sites como Reddit e eBay.

A fraude foi descoberta após a companhia pedir uma auditoria à empresa de segurança de telecomunicações Verizon para investigar suspeitas de que seus sistemas estavam sendo vítimas de hackers da China.

Segundo Andrew Valentine, investigador-sênior da Verizon, a companhia de infraestrutura pediu no ano passado a investigação de atividades anormais nos sistemas de acesso remoto à sua rede.

"Essa organização estava pouco a pouco adotando uma força de trabalho à distância, e começou a permitir que seus programadores trabalhassem de casa em alguns dias. Para conseguir isso, eles estabeleceram um sistema de verificação de acesso aproximadamente dois anos antes de recebermos sua chamada (para investigação)", disse.

Token enviado

A empresa descobriu uma conexão entre a estação de trabalho do empregado e um computador em Shenyang que estava ativa havia meses, segundo Valentine.

Inicialmente a empresa suspeitava que um programa malicioso (malware) havia sido instalado em sua rede para enviar informações confidenciais da companhia para a China.

"O próprio empregado foi central para as investigações, porque suas credenciais haviam sido usadas para iniciar e manter uma conexão privada à distância a partir da China", disse Valentine.

Análises mais aprofundadas no computador do empregado revelaram centenas de documentos com faturas para o pagamento do trabalhado terceirizado em Shenyang.

Segundo Valentine, o empregado era "inofensivo e calado", mas também um programador talentoso capaz em várias linguagens de programação e que gastava "menos de um quinto de seu alto salário para pagar uma firma chinesa para fazer seu trabalho para ele".

"A autenticação do acesso não era problema. Ele enviou seu token de segurança para a China para que o programador terceirizado pudesse acessar a rede com suas credenciais durante o dia de trabalho. Pareceria que ele estava trabalhando normalmente", disse.

"As evidências até sugerem que ele vinha aplicando o mesmo golpe em várias companhias da região. Parece que ele ganhava centenas de milhares de dólares ao ano e só pagava US$ 50 mil ao ano para a empresa de consultoria chinesa", disse.

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