Bisneta quer descobrir real destino de corpo de Garibaldi

Atualizado em  20 de janeiro, 2013 - 20:14 (Brasília) 22:14 GMT
Gravura mostra Giuseppe Garibaldi em seu leito de morte

Gravura retrata Giuseppe Garibaldi, heroi da unificação italiana, em seu leito de morte

A Itália comemorou o 150º aniversário de sua unificação em 2011, mas ainda há dúvidas sobre onde está enterrado Giuseppe Garibaldi - um dos líderes do processo de união.

Uma pessoa tem mais interesse que as demais em resolver esse enigma. Para ela, essa investigação já dura décadas.

Nos anos 1930, em uma formatura militar, uma garota de três anos em uma mesa observava os soldados italianos perfilados.

Em seus braços estava uma bandeira da Itália prestes a ser entregue aos soldados como presente. Para aqueles soldados a menina era a pessoa mais adequada para protagonizar a honraria.

Isso porque ela era Anita Garibaldi - a bisneta de Giuseppe Garibaldi.

A pequena menina era a ligação viva com um dos heróis da unificação. Ela usava uma camiseta vermelha, como a que era usada pelos mil voluntários que seguiram o general na batalha.

Hoje, essa formatura é uma das mais antigas memórias de Anita.

Ela tem hoje 80 anos e observando-a é possível reconhecer os traços do parente famoso, representados em diversas estátuas. Anita chefia a Fundação Giuseppe Garibaldi, que visa promover o legado do personagem histórico.

Cinzas

Mas atualmente ela não está preocupada apenas com a vida dele, mas com o que aconteceu logo após sua morte.

Anita Garibaldi

Anita Garibaldi, bisneta de Giuseppe Garibaldi, quer descobrir onde está a ossada do heroi

Ele morreu em 1882, aos 74 anos, em sua casa na Sardenha. Uma gravura mostra o corpo do general em uma cama. Suas barbas tão brancas quanto os lençóis da cama.

Um soldado e um marinheiro montam guarda. Há uma fila de pessoas na porta que aguardam para prestar as últimas homenagens.

A cena é profundamente sombria e ordenada, porém bem diferente do que Garibaldi desejara. Ele havia deixado bem claro que queria ser cremado.

Escreveu que tudo deveria ser feito em um local próximo à sua casa, de frente para o mar - chegou até a especificar que tipo de madeira, de árvores da Sardenha, deveria ser usada.

Ordenou que seu caixão permanecesse aberto, para que a luz do sol pudesse bater em seu rosto quando as chamas fossem acesas.

E sonhava que suas cinzas fossem levadas por cidadãos comuns, para que se misturassem à terra da pátria. Nessas terras o cultivo de jardins simbolizaria uma nova e melhor Itália. Mas seus desejos não foram atendidos.

Aparentemente foi decidido que o corpo do herói nacional não poderia ser queimado. Ao invés disso, ele foi enterrado em uma tumba em sua propriedade.

Mas Anita diz acreditar que esse não foi o fim da história.

Ela afirma suspeitar que o corpo do general não esteja em seu túmulo. Uma hipótese é que seus subordinados mais fiéis tenham se sentido obrigados a cumprir suas últimas ordens.

É possível que, há muitos anos, o grupo tenha removido o corpo de Garibaldi de sua tumba e dado a ele a cremação que desejava.

Anita diz que moradores da ilha costumavam lhe confirmar essa história. Seu falecido pai - que se interessava muito pelo assunto - estava convencido de que o corpo não estava mais no túmulo.

Frustrada

A Fundação Garibaldi então passou a negociar com o governo a fim de obter autorização para inspecionar a tumba.

Mas antes da abertura da sepultura, a administração mudou e as novas autoridades do Ministério da Cultura se revelaram menos entusiasmadas com a caçada aos ossos de Garibaldi.

Sua bisneta diz estar frustrada, mas continua firme em sua campanha. Ela está mais determinada do que nunca a obter uma permissão para reabrir o túmulo e acabar com o mistério.

Anita afirma que se o herói nacional não está onde deveria, a população italiana deveria saber.

Caso o corpo ainda esteja na tumba, ela diz que ele deve ser preservado corretamente, já que foi precariamente embalsamado na época.

Anita defende ainda que caso o corpo ainda esteja em seu túmulo, deve ser removido para Roma e ganhar um local de destaque na capital italiana.

Por outro lado, os italianos podem entender que chegou a hora de dar ao general o funeral que ele queria. É possível que ele seja cremado ao lado de sua casa, de frente para o mar.

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