Alto comparecimento de eleitores dá alento à centro-esquerda em Israel

Atualizado em  22 de janeiro, 2013 - 16:45 (Brasília) 18:45 GMT
Mulher vota em Ahkelon

Grande presença de eleitores tende a favorecer partidos de centro-esquerda

As eleições gerais desta terça-feira, em Israel, têm registrado grande presença de eleitores. Até as 18h locais (14h do Brasil), a taxa de comparecimento era de 55,5%, mais de cinco pontos percentuais acima do pleito de 2009 e a maior taxa desde 1999, segundo a Comissão Eleitoral do país.

O partido de direita Likud-Beitenu, do atual premiê Binyamin Netanyahu, é apontado por pesquisas de opinião como o favorito para obter o maior número de assentos no Parlamento e chefiar a próxima coalização governamental.

No entanto, o alto comparecimento de eleitores surpreendeu e deu alento aos partidos de centro-esquerda, que em geral têm mais dificuldades em convencer seus eleitores a votar.

Segundo o jornal Haaretz, fontes indicaram que a votação em massa pode colocar o partido centrista Yesh Atid como o segundo mais votado.

Tradicionalmente, altas taxas de comparecimento às urnas são registradas apenas por parte do eleitorado ultraortodoxo e partidário de ideias nacional-religiosas. Assim, uma maior participação de outros setores do eleitorado pode gerar um resultado inesperado para Netanyahu.

O premiê convocou seus seguidores a "largar tudo" e sair para votar, depois que dados indicaram que a média de comparecimento eleitoral em seus bastiões políticos estava inferior à da média geral do país.

Os resultados preliminares do pleito devem ser divulgados nas próximas horas, mas a formação do governo deverá levar semanas.

Agenda doméstica

Ao contrário de eleições prévias, as campanhas eleitorais israelenses deste ano focaram principalmente em temas domésticos - sociais e econômicos -, em vez de nas perspectivas de um acordo de paz com os palestinos.

Israel tem registrado protestos até então inéditos contra o aumento do custo de vida, e um relatório recente apontou altos índices relativos de pobreza no país.

Ultraortodoxos votam em Israel

Voto ultraortodoxo tem peso considerável no pleito israelense

As pesquisas de opinião vinham indicando a possibilidade de Israel eleger parlamentares que formarão uma coalizão ainda mais à direita do que a atual e com menos disposição para fazer qualquer concessão que possibilite um acordo para um Estado palestino.

Se confirmadas as pesquisas, o Likud deverá ficar com o maior número de assentos do Knesset (o Parlamento israelense, com 120 cadeiras), manter sua coalizão com o ultradireitista Israel Beitenu (do ex-chanceler Avigdor Lieberman) e fazer acordos com outros partidos considerados seus "aliados naturais" – o religioso-nacionalista Habait Hayehudi (O Lar Judaico) e os ultraortodoxos Shas e Yahadut Hatorah.

Segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil, esses partidos formariam um bloco de direita, extrema-direita e partidos religiosos, que poderá obter 67-70 cadeiras no Parlamento.

Tal resultado não representaria um aumento dramático em relação ao número de assentos que a coalizão tem hoje - 65. Mas além desse aumento quantitativo, também é esperada uma mudança qualitativa, já que dentro do bloco governista se nota um fortalecimento da extrema-direita.

Para "equilibrar" o governo e ampliar sua base de apoio no Parlamento, Netanyahu poderá convidar o centrista Yesh Atid.

Fortalecimento da direita

Netanyahu votando

Netanyahu instou partidários a 'largar tudo' e votar

Mesmo antes dos resultados do pleito, o grupo dos colonos israelenses que moram em assentamentos nos territórios ocupados já é considerado o principal ganhador dessas eleições.

Para o analista politico Akiva Eldar, do portal Al-Monitor, os colonos "conseguiram conquistar posições de força dentro do Likud e também deram uma nova roupagem ao partido Lar Judaico, atraindo eleitores seculares".

Com isso, o Lar Judaico - cujo líder, Naftali Bennett, rejeita a solução de dois Estados e defende a anexação de grandes partes da Cisjordânia - passa a ter um papel político maior, desafiando a predominância do Likud.

Segundo Eldar, questões étnicas e culturais também ajudaram a impulsionar o fortalecimento da direita em Israel: o voto dos imigrantes da ex-União Soviética (que são quase 20% dos eleitores) e as tradicionalmente altas taxas de comparecimento eleitoral dos votantes ultraortodoxos e dos nacionalistas-religiosos.

Colaborou Guila Flint, de Tel Aviv para a BBC Brasil

Leia mais sobre esse assunto

Tópicos relacionados

BBC © 2014 A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo de sites externos.

Esta página é melhor visualizada em um navegador atualizado e que permita o uso de linguagens de estilo (CSS). Com seu navegador atual, embora você seja capaz de ver o conteúdo da página, não poderá enxergar todos os recursos que ela apresenta. Sugerimos que você instale um navegados mais atualizado, compatível com a tecnologia.