'Incerteza' faz FMI reduzir previsão de crescimento do Brasil

Atualizado em  23 de janeiro, 2013 - 15:15 (Brasília) 17:15 GMT
Fábrica da Honda em Manaus (Foto Agência Brasil)

Revisão da previsão do FMI para economia brasileira foi mais pessimista que para outros BRICS

Alinhando um pouco mais a sua projeção com a do resto do mercado, o Fundo Monetário Internacional (FMI) projetou um crescimento de 3,5% para a economia brasileira neste ano, acelerando para 4% no ano que vem.

Para este ano, a previsão sofreu uma redução de 0,4 ponto percentual em relação ao ritmo previsto em outubro, a maior queda entre os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

As estatísticas constam de uma atualização do relatório Panorama Econômico Mundial (World Economic Outlook), divulgado nesta quarta-feira.

Segundo o FMI, as economias emergentes estão "a caminho" de crescer 5,5% neste ano, refletindo a melhora no ambiente econômico mundial. Entretanto, a expansão será menos robusta que a verificada em 2010 e 2011.

Grande parte do crescimento recente dos emergentes se explica graças a políticas de estímulo, observa o órgão. Essas políticas respondem a uma demanda fraca nas economias avançadas e às dificuldades criadas com a obtenção de receitas menores com a exportação de commodities.

Em outubro, durante sua reunião de outono, no Japão, o Fundo já alertava o governo brasileiro de que as medidas para destravar a economia – à época, o pacote de concessão de rodovias e ferrovias –, assim como outras medidas de estímulo, não eram suficientes para compensar a falta de uma taxa de investimento interno mais alta.

Na sua mais nova avaliação, o FMI volta a citar os "gargalos de oferta e as incertezas políticas" que reduzem as perspectivas de crescimento em países como o Brasil e a Índia.

"O desafio em geral é reconstruir o espaço para as políticas macroeconômicas", recomendou o Fundo. "O ritmo mais apropriado de reconstrução deve equilibrar os riscos externos e os crescentes riscos domésticos."

Retomada gradual

Para a economia global como todo, o Fundo prevê uma retomada "gradual" do crescimento nos próximos dois anos. Mais gradual inclusive do que se previa três meses atrás.

"O otimismo está no ar, e há razão para justificar um certo otimismo, com cautela", disse a jornalistas em Washington o diretor de Pesquisas do FMI, Olivier Blanchard.

Blanchard disse que a economia mundial está em uma situação melhor neste início de 2013, comparado com o mesmo período do ano passado.

Os Estados Unidos negociaram o adiamento de uma aguda consolidação fiscal – o chamado "abismo fiscal" – e as negociações para uma união bancária europeia "convenceram os investidores de que a Europa está comprometida com o euro".

"Mas não devemos nos iludir", disse Blanchard. "Ainda há desafios e a recuperação será lenta, muito lenta."

"Para falar de maneira poética, evitamos os abismos, mas ainda temos montanhas para vencer."

O FMI prevê que o crescimento global será de 3,5% em 2013, ligeiramente acima dos 3,2% do ano passado.

Mais riscos

"O otimismo está no ar, e há razão para justificar um certo otimismo, com cautela."

Olivier Blanchard, diretor de pesquisas do FMI

Segundo o relatório, em 2012 o crescimento global foi ajudado por uma expansão acima do esperado nos Estados Unidos no último trimestre. Mas o efeito foi limitado.

Depois de crescer 2,3% no ano passado , prevê o FMI, os EUA devem se expandir 2% neste ano e 3% no próximo.

O maior risco para a economia americana – e potencialmente, mundial – é uma crise fiscal a partir do momento em que o governo americano atinja o teto da sua dívida, o que poderia acontecer em fevereiro ou março.

Isso implicaria o default automático em certos pagamentos, minando a confiança nos títulos soberanos americanos e na economia em geral.

Entretanto, o Congresso tem poder de adiar esse gatilho e legislar em temas fiscais, e já deu mostras de que coperará com a Casa Branca para evitar instabilidades.

Outro risco para a economia global, segundo o FMI, está na zona do euro, onde "o retorno ao crescimento, depois de uma longa contração, está sendo adiado".

Por outro lado, o Fundo elogiou o "progresso" nos ajustes das contas nacionais europeias e na formulação de uma política comum para responder à crise da dívida soberana.

As últimas previsão do FMI são de que os países que utilizam o euro se retraíram 0,4% no ano passado e continuarão se retraindo neste ano (-0,2%). Para 2014, a previsão é de um crescimento de 1%.

Já no Japão, que voltou para a recessão, o Fundo espera que medidas elevem o crescimento no curto prazo.

"Se os riscos de uma crise não se materializarem e as condições financeiras continuarem a melhorar, o crescimento global pode ser maior do que o projetado", diz o relatório.

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