Mãe de babá executada por morte de bebê critica Arábia Saudita

Atualizado em  24 de janeiro, 2013 - 09:14 (Brasília) 11:14 GMT
Protesto contra execução de Rizana (Foto Reuters)

Protesto contra a execução de Rizana: ONGs criticam condenação de menor de idade à morte

A mãe de uma empregada doméstica do Sri Lanka decapitada na Arábia Saudita perdoou aqueles que, segundo ela, queriam que a filha fosse executada.

Segundo Rafeena Nafeek, a filha Rizana era inocente e foi injustamente condenada por matar um bebê em 2005.

Rizana ficou presa oito anos e o governo saudita negou-se a mudar sua pena, apesar dos apelos de grupos de defesa dos direitos humanos, alegando que os pais do bebê se opunham a isso.

Os registros mostram que Rizana tinha apenas 17 anos quando o bebê morreu, o que faria de sua condenação à morte uma violação dos direitos internacionais da criança.

Seus pais, que vivem em uma casa humilde no Leste do Sri Lanka, chegaram à Arábia Saudita duas semanas depois de ela ser executada.

Chorando, Rafeena disse ter perdoado os pais do bebê, que insistiram na decapitação de sua filha.

"Não adianta culpar ninguém - Rizana foi embora", ela disse à BBC.

"Só soubemos da execução dela pela mídia. Eles (as autoridades sauditas) deviam pelo menos ter nos informado. Até nosso pedido para levar seu corpo para o Sri Lanka foi negado."

Problema social

Antes de morrer, Rizana teria pedido que os pais se empenhassem pela educação de seus irmãos mais novos.

Rafeena aconselhou outras famílias pobres a não enviarem suas filhas para trabalharem como domésticas na Arábia Saudita ou qualquer outro lugar.

Nesta semana, duas adolescentes do Sri Lanka foram apreendidas tentando entrar no país, que é criticado por ONGs por suas condenações à morte e leis duras restringindo direitos femininos.

Segundo Charles Haviland, correspondente da BBC em Colombo, capital do Sri Lanka, aparentemente o passaporte de Rizana foi falsificado quando ela foi para a Arábia Saudita, indicando que ela teria 23 anos, em vez de 17.

O bebê saudita morreu quando estava sob cuidados da menina, no que Rizana dizia ter sido um acidente. O entendimento dos tribunais sauditas, porém, foi que a criança foi estrangulada.

Alguns grupos de defesa dos direitos humanos denunciam que o julgamento não foi justo porque Rizana não teve direito nem a um tradutor nem a um advogado.

Nafeek rejeitou uma oferta de indenização da Arábia Saudita, alegando que não poderia aceitar nada "do país que matou Rizana".

Na terça-feira, o presidente do Sri Lanka entregou à família US$ 7.800 (R$ 15.963).

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