Boate Kiss não atendia normas de segurança, diz engenheiro do Corpo de Bombeiros

Atualizado em  28 de janeiro, 2013 - 05:48 (Brasília) 07:48 GMT
Interior de boate Kiss / Reuters

Falta de saídas de emergência dificultou evacuação

O fogo que deixou pelo menos 231 mortos na madrugada do último domingo em Santa Maria, no Rio Grande do Sul acabou por revelar a precariedade da estrutura da boate Kiss, onde a tragédia ocorreu.

A pedido da BBC Brasil, a avaliação feita por Ivan Ricardo Fernandes, engenheiro civil e capitão do Corpo de Bombeiros do Paraná, indica que a casa noturna não cumpria normas técnicas básicas de segurança contra incêndios, como capacidade de lotação e número suficiente de saídas de emergência.

A estimativa foi feita com base em características estruturais do local, após análise de imagens e relatos de testemunhas.

Famosa por abrigar festas universitárias, a casa noturna informava poder abrigar até 2 mil pessoas.

Porém, com apenas 650 metros quadrados de área, o limite máximo de público, de acordo com normas técnicas, não poderia ultrapassar 1,3 mil pessoas.

"As regras (de segurança contra incêndio) mudam de acordo com a ocupação, altura e características construtivas do estabelecimento", explica Fernandes.

"A diretriz da normativa é dada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)", acrescenta.

Saídas de emergência

Além disso, considerando os mesmos padrões exigidos pela ABNT, a largura total das saídas da boate Kiss deveria ter, pelo menos, 7 metros, calcula Fernandes.

Segundo testemunhas, entretanto, só havia uma porta de 2 metros de largura, que servia de entrada e saída do público.

"Para um estabelecimento com uma única saída de 2 metros, por exemplo, a capacidade máxima seria de 400 pessoas", diz Fernandes.

Mesmo assim, lembra o especialista, "por ser uma casa noturna", a boate Kiss deveria ter, pelo menos, "duas saídas de emergência".

"Entretanto, pelo que vi em imagens da boate, só haveria uma rota de fuga, que era a própria porta de entrada e saída", afirma Fernandes.

Ainda com base nas normas da ABNT, estima Fernandes, a distância máxima a ser percorrida de qualquer lugar do estabelecimento até a saída não poderia exceder 30 metros.

"Porém, isso também não parece ter sido respeitado, uma vez que declarações dos bombeiros indicam que muitos corpos foram achados no fundo do local", afirma.

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