Comoção e solidariedade marcam 1ª noite pós-desastre em Santa Maria

Atualizado em  28 de janeiro, 2013 - 06:32 (Brasília) 08:32 GMT
Caixões em velório coletivo

Velório coletivo foi montado em Centro Desportivo Municipal de Santa Maria

Um dia após o incêndio que matou 231 pessoas na boate Kiss, em Santa Maria, região central do Rio Grande do Sul, a cidade agora se prepara para enterrar as vítimas, enquanto as investigações sobre as causas do desastre continuam e voluntários prosseguem no trabalho de assistência às famílias.

Por volta da meia-noite deste domingo, pouco menos de 24 horas depois do início do incêndio na Kiss, o Centro Desportivo Municipal para onde os corpos foram levados após o resgate ainda se encontrava repleto de familiares, voluntários e membros da polícia, corpo de bombeiros e Exército.

Em meio ao trabalho frenético de assistência, os corpos de 16 vítimas eram velados por seus familiares em caixões colocados no ginásio poliesportivo. A alguns metros dali, um caminhão refrigerado do Exército ainda guardava os corpos de sete vítimas cujas famílias ainda não haviam chegado ao local.

"A parte mais complicada da operação, que era trazer essas pessoas para cá, já passou", disse o major Cleberson Bastianello, do Batalhão de Operações Especiais da Brigada Militar do Rio Grande do Sul.

Segundo ele, todos os corpos já foram identificados e os primeiros enterros já devem acontecer a partir de 9h da manhã desta segunda-feira.

"Vamos ficar aqui até entregar o último corpo aos familiares", disse Bastianello.

Nos primeiros minutos desta segunda-feira, o governo do Estado divulgou os nomes das 231 vítimas fatais do incidente. O número é um pouco menor do que o de 233 mortos que havia sido divulgado horas antes, por duplicidade de nomes na lista original.

Além disso, de acordo com dados atualizados no final da tarde pela Secretaria Estadual da Saúde, pelo menos 124 feridos estavam sendo atendidos em hospitais de Santa Maria e Porto Alegre.

Voluntários

Corpo de vítima é carregado

Comoção levou muitos a deixarem suas casas e irem ao local da tragédia para prestar apoio

O incêndio que ocorreu após uma exibição com fogos de artifício durante um show na casa noturna Kiss chocou os moradores de Santa Maria, que tem pouco mais de 261 mil habitantes. Muitos conheciam as vítimas do desastre, em sua maioria jovens universitários.

A comoção fez com que muitos deixassem suas casas e se dirigissem ao Centro Desportivo para auxiliar as vítimas e familiares. Voluntários distribuíam comida e bebidas para as pessoas que trabalhavam no local e carros com doações chegavam a todo momento. Cartazes ainda ofereciam locais para banho e descanso nas imediações.

"Todo mundo tem alguém conhecido que estava na tragédia", disse o psicólogo Marcelo Garcez, que desde as 11h da manhã trabalhava na assistência aos familiares das vítimas. "A prática profissional acaba se misturando com a pessoal", disse Garcez, que faz mestrado na Universidade Federal de Santa Maria e conta ter perdido uma aluna no incidente.

"Procuro não parar para pensar no que está acontecendo. Você faz seu trabalho e só vai começar a elaborar quando estiver em casa", diz.

Médicos também se revezavam em turnos no local. Segundo Tiago Bordignon, que acabara de chegar para um plantão de seis horas de duração, o atendimento é basicamente voltado a familiares e amigos de vítimas. "Se alguém tem uma suspeita de enfarto, por exemplo, fazemos eletrocardiograma, temos medicação. Se não podemos tratar, encaminhamos para um hospital", disse.

Investigação

Enquanto isso, as investigações para apurar a responsabilidade pelo acidente continuam. Neste domingo, a Polícia Civil colheu depoimentos dos principais envolvidos, entre eles um dos proprietários e o chefe de segurança da boate.

O incêndio teria tido início após faíscas de um artefato pirotécnico terem entrado em contato com o isolamento acústico do teto da boate.

Segundo o comissário da Polícia Civil Fernando Marques, aparentemente alguns dos seguranças não tiveram visão sobre o que estava acontecendo em um primeiro momento e impediram que os clientes saíssem pela porta da boate sem pagar suas contas.

Marques disse que ainda não está claro, no entanto, por quanto tempo os seguranças impediram a saída das vítimas.

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