Em Londres, Patriota oferece apoio para fim do conflito na Síria

Atualizado em  4 de fevereiro, 2013 - 19:45 (Brasília) 21:45 GMT
William Hague e  Antonio Patriota (Foto AP)

William Hague e Antônio Patriota em encontro nesta segunda-feira em Londres

O Brasil quer "ter um papel" na solução do conflito na Síria e usar sua "interlocução diversificada" com membros do Conselho de Segurança e países da região para contribuir para um processo de paz.

Foi essa a mensagem do chanceler brasileiro, Antonio Patriota, em sua recente visita à Europa, na qual ele participou da Conferência sobre Segurança em Munique e discutiu a questão síria tanto com o enviado conjunto da Liga Árabe e da ONU para o país, Lakhdar Brahimi, quanto com o chanceler britânico, William Hague, com o qual se encontrou em Londres nesta segunda-feira.

Patriota defendeu que não há solução militar para o conflito, mas a pergunta sobre qual a contribuição "concreta" que o Brasil poderia dar ao processo de paz ficou sem resposta.

"O Brasil está bem informado e essa é a primeira condição para se ter um papel. Saber exatamente em qual estágio se encontra o conflito", disse o chanceler brasileiro.

Ele mencionou o Comunicado de Genebra, que estabelece os passos para uma transição na Síria, com a formação de um governo composto por representantes de ambas partes em conflito.

Na visão brasileira, esse seria o caminho que levaria à paz.

"O Brasil mantém uma interlocução diversificada com os membros do Conselho Segurança e os países vizinhos e poderá na medida de suas possibilidades contribuir para que se avance nesse processo", disse o chanceler.

"Hoje em dia repete-se muito que não há solução militar para o conflito - o que do nosso ponto de vista já contribui para a solução. Há um impasse e na medida em que as partes sírias estejam dispostas a ingressar em um processo de diálogo que leve a uma transição, (haverá avanço)", defendeu

"Queremos ver o fortalecimento da tendência de um acordo que cesse a violência e estabeleça as condições para uma transição local."

Perfil mais baixo

A visita de Patriota ocorreu em meio a uma escalada de tensões no Oriente Médio.

Na semana passada, jatos israelenses atacaram o território sírio, atingindo, segundo diferentes versões, um centro de pesquisas ou um comboio de armas destinado a militantes do Hezbollah, no Líbano.

O ataque motivou uma série de ameaças do Irã contra Israel e abriu a possibilidade de que o conflito sírio extrapole as fronteiras do país.

Em Londres, após discutir diversos temas da agenda bilateral e internacional com o chanceler brasileiro, Hague ressaltou a disposição do Brasil em colaborar nas gestões do conflito.

"Valorizamos a sabedoria de colegas ao redor do globo", disse. "O Brasil tem suas próprias experiências na diplomacia com o Irã e políticas envolvendo situações como a da Síria. Então estamos trabalhando juntos diplomaticamente nesses temas."

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