Agência de risco diz ser alvo de processo do governo dos EUA

Atualizado em  5 de fevereiro, 2013 - 12:02 (Brasília) 14:02 GMT
Prédio da Standard & Poor's em Nova York (Reuters)

Agência afirma que processo não tem mérito legal ou factual

A agência de classificação de risco Standard & Poor's disse que o governo dos Estados Unidos pretende processá-la devido à avaliação, feita pela agência, de títulos americanos durante a crise financeira de 2008.

Segundo a Standard & Poor's, a ação vai se concentrar nas avaliações da agência para alguns títulos garantidos por hipotecas em 2007, antes do auge da crise. Nesses casos, a Standard & Poor's deu notas altas para estes títulos e depois eles entraram em colapso.

A agência afirmou que foi informada do processo pelo Departamento de Justiça americano a respeito da ação, mas o departamento ainda não se pronunciou a respeito.

O processo será o primeiro no qual há uma acusação má conduta contra uma agência de classificação de risco relacionada à crise financeira.

A Standard & Poor's afirma que o processo não tem nenhum mérito legal ou factual.

Outras agências

No pregão de segunda-feira em Wall Street, as ações de outra agência de classificação de risco, a Moody's, caíram 10%, o que indica que ela poderá ser o próximo alvo do Departamento de Justiça americano.

A Standard & Poor's e outras agências foram criticadas por investidores, políticos e agências reguladoras por dar as notas mais altas, AAA, para milhares de títulos de alto risco que depois sofreram um colapso em seus valores.

Estas agências de avaliação de risco são pagas pelos emissores de títulos e outros produtos, o que levanta a suspeita de conflito de interesses.

As notas dadas pelas agências podem afetar a capacidade de uma companhia de levantar fundos ou conseguir empréstimos, além de afetar os preços dos títulos.

No caso da bolha imobiliária que gerou a crise - cujo auge ocorreu com o colapso do banco Lehman Brothers em 2008 - as agências de classificação de risco, incluindo a Standard & Poor's, foram contratadas para analisar transações financeiras complexas que colocavam juntas, em um pacote, milhares de empréstimos para compradores de imóveis individuais, as obrigações de dívida colateralizadas, (ou CDOs, na sigla em inglês).

O trabalho das agências de classificação de risco era analisar a probabilidade de que os empréstimos imobiliários fossem pagos. As avaliações feitas permitiram que os bancos colocassem juntos muitos destes CDOs e os vendessem para investidores no mundo todo.

A Standard & Poor's também já foi processada por investidores. Mas a agência alega que suas avaliações são opiniões protegidas pela Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos.

A companhia afirma que "lamenta profundamente" a forma como suas avaliações de CDOs não conseguiram antecipar as condições do mercado de crédito imobiliário quando a crise financeira começou e que, desde então, gastou US$ 400 milhões para melhorar a qualidade de suas avaliações.

Em uma declaração divulgada na segunda-feira, a Standard & Poor's, afirma que o Departamento de Justiça estará errado ao entrar com a ação alegando que as avaliações da agência "eram motivadas por considerações comerciais" e não por "boa fé".

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