Chávez volta à Venezuela após tratamento em Cuba

Atualizado em  18 de fevereiro, 2013 - 10:30 (Brasília) 13:30 GMT

O post de Chávez no Twitter: "Chegamos de novo à pátria venezuelana! Obrigado, meu Deus!"

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, voltou de surpresa à Venezuela na madrugada desta segunda-feira, após mais de dois meses de tratamento em Cuba para combater um câncer. A informação foi dada pelo próprio mandatário via Twitter:

"Chegamos de novo à patria venezuelana. Obrigado meu Deus! Obrigado povo amado! Aqui continuaremos o tratamento!", escreveu Chávez no site de microblogging.

Chávez agradeceu ainda ao líder cubano Fidel Castro, ao presidente de Cuba, Raul Castro, e à população cubana pelo tratamento.

"Continuo apegado a Cristo, confiado em meus médicos e enfermeiras. Até a vitória sempre! Viveremos e venceremos", acrescentou.

Suas declarações romperam um longo silêncio. Chávez não tinha dado qualquer declaração à imprensa ou falado em mídias sociais sobre sua situação desde que foi operado em Cuba, em 11 de dezembro.

Chávez foi para Havana para submeter-se à quarta cirurgia em 18 meses de tratamento contra um câncer diagnosticado em meados de 2011.

Na semana passada, o governo divulgou as primeiras imagens dele desde a operação, em que ele aparecia sorrindo em uma cama, lendo um jornal, com suas duas filhas a seu lado.

Situação do governo

De acordo com o governo venezuelano, Chávez chegou a Caracas às 2h31m e foi imediatamente transferido para o Hospital Militar da capital.

Seu retorno promete definir o status da presidência do país. A expectativa é de que Chávez - reeleito em outubro - formalize nos próximos dias o início de seu segundo mandato, postergado de maneira indefinida pela Justiça até a sua volta de Cuba.

Sua volta surpreendeu o país e foi comemorada por seus correligionários. No canal estatal, o ministro da Comunicação, Ernesto Villegas, comemorou a volta do presidente. "Voltou, voltou e voltou. Esse é outro 13 de abril", disse Villegas, em referência ao regresso de Chávez à Presidência depois do fracassado golpe de Estado de 2002.

"A batalha continua", disse o vice-presidente, Nicolás Maduro, por telefone ao canal de TV estatal. "Estamos muito felizes. O principal agora é redobrar o ritmo para ir unificando nossa economia, essa é uma homenagem ao nosso comandante nessa batalha exemplar que ele está travando pela vida", disse Maduro.

Maduro vem governando a Venezuela de facto desde que Chávez foi para Cuba, e a oposição venezuelana vinha pedindo clareza sobre quem está no comando do país.

Ao adiar a posse de Chávez, marcada para 10 de janeiro, a Suprema Corte da Venezuela determinou que Chávez poderia ser empossado mais tarde. A oposição, entretanto, afirmava que o líder da Assembleia, Diosdado Cabello, deveria assumir o poder até que novas eleições fossem convocadas.

Chávez deverá decidir se continua ou não no cargo. Se optar por seguir à frente da Presidência, como até agora tem feito, o vice-presidente Nicolás Maduro é quem continuará liderando o governo, assumindo funções que podem ser delegadas por Chávez. Se decidir renunciar para continuar com o tratamento médico, novas eleições devem ser convocadas num prazo de trinta dias.

Reações populares

Do lado de fora do Hospital Militar de Caracas, alguns simpatizantes já começam a se aproximar para dar as "boas-vindas ao comandante".

"Estamos felizes e mais tranquilos. Chávez é e continuará sendo o presidente", afirmou à BBC Brasil o comerciante Edgar Contreras, que chegou ao hospital militar assim que amanheceu.

"Que a oposição entenda que nosso comandante está vivo, e que nós estamos aqui para defendê-lo", acrescentou.

Ao som de buzinas, alguns simpatizantes do presidente que passaram em frente ao hospital mostravam a bandeira nacional. Outros, gritavam: "O homem voltou, o comandante voltou!".

Alguns desavisados, paravam, surpreendidos, para perguntar o que está acontecendo. A resposta era dada em coro: "Chávez voltou".

A notícia é destaque em todos os jornais do país. No Twitter, a hashtag #ChavezbienvenidoAlaPatria esta no topo do trending topics do país."Chegou nosso pai, nosso líder, nosso melhor homem de lutas, nosso guerreiro, nosso Chávez", escreveu @Maria_MCobono no site de microblogging.

O presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, convocou, também via Twitter, a população a colocar a bandeira nacional "nas casas, carros, edifícios, comércios, quartéis e na rua" para celebrar a volta do presidente.

Do lado opositor, o ex-candidato presidencial e governador do estado de Miranda, Henrique Capriles, disse esperar, na mesma rede social, que o retorno do presidente "seja definitivo" e que "signifique a paralisação imediata do pacotão vermelho", em alusão à recente medida de desvalorização da moeda, o bolívar, que passou a ser cotado de 4,30 a 6,30 bolívares por dólar.

"Que o retorno do presidente signifique que o sr. Maduro e os ministros comecem a trabalhar; há milhares de problemas para resolver", escreveu Capriles em sua conta no Twitter.

O governador é visto como o principal candidato presidenciável da oposição, caso novas eleições tenham de ser convocadas.

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