China desmente relatório e nega ciberataques contra os EUA

Atualizado em  20 de fevereiro, 2013 - 12:48 (Brasília) 15:48 GMT
Prédio em Xangai apontado pelo relatório da Mandiant como origem de ataque de grupo de hackers APT1 (AFP/Getty)

Prédio em Xangai apontado pelo relatório da Mandiant como origem de ataque de grupo de hackers APT1

O Ministério da Defesa da China criticou o relatório de uma companhia americana que ligou o país a uma série de ataques de hackers contra os Estados Unidos.

Em uma declaração, o ministério afirmou que o relatório da companhia Mandiant não apresenta "prova técnica" de suas acusações.

O relatório da Mandiant, uma empresa baseada nos Estados Unidos e especializada em segurança online, identificou um edifício em Xangai usado pelos militares como o provável lar de hackers que seriam os responsáveis por vários ataques contra companhias americanas.

A declaração do Ministério da Defesa chinês, postada em seu website, afirmou que muitos ciberataques são feitos com o uso de endereços de IP sequestrados.

Segundo a declaração, não existe uma definição clara do que é um ataque de hackers e, como esta é uma operação que cruza as fronteiras de vários países, é difícil apontar exatamente onde fica a origem dos ataques.

O ministério ainda sugeriu que "o levantamento cotidiano" de informação online está sendo caracterizado de forma errada como espionagem.

'Ciberespionagem'

O relatório da Mandiant analisou centenas de casos e afirma que descobriu que grupos de hackers estavam baseados primariamente na China e que o governo do país sabe da existência destes grupos.

De acordo com o documento, APT1 é o mais ativo destes grupos e é descrito pela Mandiant como "um dos grupos de ciberespionagem mais prolíficos em termos de quantidade de informações roubadas".

A companhia afirma ter rastreado as atividades do APT1 até um prédio em Xangai. A Unidade 61398 do Exército de Libertação do Povo (as Forças Armadas da China) "também está localizada precisamente na mesma área" e os grupos de hackers tinham "missões, capacidades e recursos" parecidos com os dos militares.

O APT1 é formado por centenas de pessoas que falam inglês e atacou 141 companhias roubando informações que incluiam planos de negócios, documentos com preços, credenciais de usuários, emails e listas de contatos.

O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, afirmou que o governo tomou conhecimento do relatório da Mandiant e, apesar de não comentar o documento diretamente, descreveu a ciberespionagem como "um desafio muito importante".

"Levamos várias vezes a nossa preocupação com os ataques virtuais aos níveis mais altos das autoridades chinesas, incluindo os militares, e vamos conitnuar fazendo isto", afirmou.

"Consideramos este tipo de atividade uma ameaça não apenas à nossa segurança nacional mas também aos nossos interesses econômicos e (estamos) apresentando nossas preocupações de forma específica, para que possamos ver se existe uma forma de progredir", afirmou a porta-voz do Departamento de Estado americano, Victoria Nuland.

Existe há algum tempo a suspeita de que a China tenha um papel nos ciberataques.

Mas a questão voltou a ser discutida com mais frequência nos últimos meses depois de vários destes ataques contra órgãos de imprensa, incluindo o jornal The New York Times, em um caso aparentemente ligado a uma notícia do jornal a respeito da riqueza de Wen Jiabao, que está deixando o cargo de premiê do país.

No entanto, o Ministério da Defesa da China afirmou que o país também é vítima de ciberataques.

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