Investigador do caso Pistorius responde por tentativa de assassinato

Atualizado em  21 de fevereiro, 2013 - 05:55 (Brasília) 08:55 GMT
Detetive Hilton Botha (Getty)

O detetive Hilton Botha disse que testemunha ouviu discussão na casa de Pistorius

O policial que investiga o caso do atleta Oscar Pistorius, acusado de ter morto a tiros sua namorada, responde a sete processo criminais por tentativa de assassinato.

Em um episódio ocorrido há dois anos, o policial, Hilton Botha, supostamente bêbado, disparou vários tiros contra uma van com sete pessoas.

Essa revelação veio à tona na África do Sul na manhã desta quinta-feira, um dia depois de o investigador ter reconhecido, no tribunal em Pretória, de que não tinha provas que contradissessem a versão dada por Pistorius sobre os eventos que levaram à morte de Reeva Steenkamp.

As acusações contra o policial podem dar peso a argumentos da defesa de Pistorius, que acusa o investigador de "interpretar" os indícios envolvendo a morte de Reeva Steenkamp.

Ambos, Pistorius e Botha, participam de audiências para determinar se o atleta terá ou não direito de pagar fiança e responder em liberdade pela acusação de assassinato.

A modelo, que tinha 29 anos (e não 30, como vinha sido informado anteriormente), foi morta a tiros na semana passada por Pistorius, de 26 anos, em um caso que chocou a África do Sul.

Pistorius nega as acusações da promotoria - baseadas nas investigações de Botha -, de que teria premeditado o crime, e diz que atirou pensando que um ladrão havia entrado em sua casa.

Tiros e bebida

A porta-voz da polícia, Neville Malila, confirmou que Botha e outros dois policiais devem ser julgados em maio.

Os três são acusados de dirigirem bêbados um veículo oficial e de abrir fogo contra uma van lotada de passageiros.

Segundo a imprensa do país, o episódio ocorreu em 2009. Segundo o jornal Eyewitness News, os três chegaram a ser presos em 2011, mas foram liberados.

As acusações chegaram a ser retiradas. Mas segundo a polícia, voltaram a ser apresentadas.

Ainda não se sabe de Botha continuará à frente da investigação do caso Pistorius.

Reviravolta

Segundo o correspondente da BBC em Pretória, a revelação provoca uma reviravolta no caso.

Os detalhes do investigador podem ser usados pela defesa, na tentativa de conseguir um habeas corpus a Pistorius.

Botha disse no tribunal que a trajetória dos tiros que mataram a modelo indicavam que Pistorius, que tem as pernas amputadas, teria colocado suas próteses, caminhado e atirado contra a porta do banheiro.

A acusação contradiz a versão de Pistorius. O atleta disse que no momento estava sem a prótese. Ele conta ter se se sentido vulnerável e então atirado, quando pensou que um ladrão havia entrado em sua casa.

'Preocupante'

O investigador, por sua vez, disse que uma testemunha teria ouvido uma discussão na casa de Pistorius na mesma noite. Ele tinha dito inicialmente que esta testemunha estava a 600 metros de distância. Mas depois disse que eram 300 metros.

A família de Pistorius disse que a mudança na versão do detetive é "extremamente preocupante".

O investigador também foi questionado pelo fato de não ter vestido roupa adequada na cena do crime (o que poderia alterar as provas).

Pistorius ganhou várias medalhas nas Paraolimpíadas de Atenas, em 2004, e em Pequim, em 2008.

O sul-africano ganhou notoriedade ano passado, em Londres, onde foi o primeiro atleta com a disputar com próteses uma prova das Olimpíadas. Ele chegou à semifinal nos 400 metros.

Leia mais sobre esse assunto

Tópicos relacionados

BBC © 2014 A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo de sites externos.

Esta página é melhor visualizada em um navegador atualizado e que permita o uso de linguagens de estilo (CSS). Com seu navegador atual, embora você seja capaz de ver o conteúdo da página, não poderá enxergar todos os recursos que ela apresenta. Sugerimos que você instale um navegados mais atualizado, compatível com a tecnologia.