Estudantes são alvo de esquemas de lavagem de dinheiro na Grã-Bretanha

Atualizado em  26 de fevereiro, 2013 - 14:59 (Brasília) 17:59 GMT
Pessoas em fila de centro de empregos em Bristol (Arquivo/Getty)

Pessoas que buscam emprego estão no grupo mais vulnerável aos crimes

Uma pesquisa realizada por especialistas em fraudes indica que centenas de milhares de pessoas, entre elas estudantes, são recrutadas na Grã-Bretanha para participar de esquemas de lavagem de dinheiro.

Além dos estudantes, os desempregados e os imigrantes também estão entre os grupos mais vulneráveis. Eles são recrutados e, inadvertidamente, permitem que suas contas bancárias sejam usadas para esconder as atividades criminosas.

A Financial Fraud Action, empresa que combate fraudes em nome dos bancos, encomendou a um instituto britânico de pesquisa, o Instituto de Gerenciamento Comercial (ICM, na sigla em inglês), um levantamento com 2 mil adultos separados em grupos formados exclusivamente por estudantes, pessoas procurando emprego e outras que tinham acabado de chegar à Grã-Bretanha, entre outros.

Cerca de 15% dos pesquisados relataram ter recebido ofertas de emprego suspeitas e, dos que foram abordados desta forma, 6% aceitaram as ofertas. Este índice subiu para 13% entre os desempregados, 19% dos estudantes e 20% dos que acabavam de chegar ao país.

Extrapolando a pesquisa, a Financial Fraud Action afirma que 380 mil pessoas podem ter, inadvertidamente, se transformado em “mulas" – pessoas que atuam transportando valores ilicitamente.

"É um problema muito grave. Praticamente cada uma das transações criminosas que ocorrem dependem das mulas de dinheiro, para transformar o dinheiro sujo em algo que os criminosos possam gastar", afirmou Dave Carter, um investigador da Financial Fraud Action.

Por e-mail

Os fraudadores entram em contato com seus alvos em potencial enviando grandes quantidades de e-mails oferecendo empregos, ou mesmo depois de analisar currículos em sites de emprego.

Eles então oferecem empregos de "agentes de transferência de dinheiro", "agentes de processamento de pagamentos" ou "assistentes administrativos", pagando salários de centenas de libras por semana.

"É um risco colossal (para os estudantes). Na verdade, você está assumindo todo o risco em nome do criminoso. Por isso eles pedem, as mulas de dinheiro tem maior probabilidade de serem flagradas."

Dave Carter, investigador

Parece uma oferta de emprego legítima, mas o propósito verdadeiro é desviar o dinheiro resultante de atividades criminosas para a conta bancária de outra pessoa, transformando a vítima em "mula".

Kayleigh Rance caiu em um destes golpes quando procurava trabalho durante um ano. Ela que foi aceita em um emprego e até chegou a assinar o contrato mas, por sorte, desistiu.

"Faz com que você se sinta um pouco enojada. Me sinto como se eu tivesse que ir a todos os sites (de emprego) e tirar o meu currículo, pois não quero que aconteça de novo", disse.

O dinheiro geralmente vem de fraudes com cartões de crédito e desvios de contas bancárias, entre outros crimes.

Este montante vai então para a conta da “mula”, para que sua origem seja disfarçada. A pessoa então transfere os fundos para uma conta em outro país, controlada pelo fraudador, em um caso clássico de lavagem de dinheiro.

Algumas destas pessoas envolvidas no esquema são pagas recebendo uma porcentagem do dinheiro que está sendo lavado, geralmente 8%.

'Risco colossal'

As primeiras “mulas” usadas neste esquema geralmente eram pessoas que acabavam de entrar na Grã-Bretanha, e elas processavam os fundos gerados pelo crime em suas próprias comunidades em Londres ou outras grandes cidades do país.

Mas a internet permitiu que os fraudadores chegassem a outros grupos, incluindo estudantes desesperados para ganhar dinheiro.

"É um risco colossal (para os estudantes). Na verdade, você está assumindo todo o risco em nome do criminoso. Por isso eles pedem, as mulas de dinheiro tem maior probabilidade de serem flagradas", disse o investigador Dave Carter.

Agora, a ONG britânica Crimestoppers iniciou uma campanha nas universidades britânicas para alertar os estudantes a respeito destes crimes.

"Muitos estudantes que abordamos disseram que foram afetados ou têm um amigo que foi", disse Megan Owen, estudante de criminologia e voluntária em um evento recente na Birmingham City University.

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