Diplomatas europeus recomendam boicote a assentamentos israelenses

Atualizado em  27 de fevereiro, 2013 - 19:30 (Brasília) 22:30 GMT
Assentamento em Gilo | Foto: AP

Obras no bairro de Gilo são exemplo recente da expansão israelense em Jerusalém Oriental

Os diplomatas europeus junto à Autoridade Nacional Palestina (ANP) redigiram um relatório com duras críticas à colonização israelense na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental e exortaram a União Europeia a aplicar sanções econômicas contra os assentamentos.

De acordo com o relatório, que foi vazado para o jornal israelense Haaretz, os diplomatas recomendam que os 27 países da UE tomem medidas para impedir investimentos em projetos relacionados aos assentamentos.

O documento destaca a necessidade de diferenciação entre produtos fabricados em Israel e mercadorias provenientes dos assentamentos. Além disso, recomenda que as redes de supermercados europeias marquem os produtos dos assentamentos de forma que o consumidor possa entender que esses não foram produzidos em Israel.

Israel tem um acordo de livre comércio com o bloco europeu, e segundo o relatório dos diplomatas, "os produtos dos assentamentos não devem usufruir dos benefícios" do acordo.

O documento também recomenda que os países europeus examinem com cuidado os planos de cooperação nas áreas de pesquisa e desenvolvimento tecnológico "para que não ajudem de maneira direta ou indireta os assentamentos".

'Provocação'

O relatório destaca a colonização israelense em Jerusalém Oriental e afirma que "Israel atua de maneira sistemática contra a presença palestina em Jerusalém, por intermédio de limitações à construção, destruição de casas, expulsão de moradores, discriminação na liberdade de acesso a locais religiosos e em serviços de educação, saúde e recursos municipais".

Segundo os autores, as construções israelenses em Jerusalém Oriental são "propositais, sistemáticas e provocadoras".

A ampliação de três bairros israelenses em Jerusalém Oriental – Har Homa, Gilo e Givat Hamatos – é vista como "parte de uma estratégia para impedir a transformação de Jerusalém em capital dos dois Estados"

O governo de Israel ainda não publicou uma reação oficial ao relatório dos diplomatas europeus, porém o tema foi divulgado amplamente pela mídia local.

O deputado Eli Ben Dahan, do partido de extrema-direita Habait Hayhudi (Lar Judaico) criticou o relatório.

"Novamente somos testemunhas de uma intervenção grosseira e tendenciosa em favor dos palestinos, na política do Estado de Israel", disse o deputado ao site de notícias Walla.

"Os europeus devem saber que o Mandato Britânico na Terra de Israel terminou há 65 anos, hoje em dia Israel é um Estado independente", acrescentou Ben Dahan.

Iniciativas corajosas

A porta-voz da Organização pela Libertação da Palestina (OLP), Hanan Ashrawi, qualificou o relatório como "corajoso" e declarou que espera que seja seguido por "medidas concretas e punitivas".

"Apelamos à União Europeia para que enfrente Israel e implemente iniciativas corajosas para exigir que o bloco retire os investimentos em assentamentos em em relação a produtos vindos desses assentamentos”, afirmou a porta-voz da OLP à agência de noticias palestina "Maan".

"O projeto de colonização de Israel é a ameaça mais significativa à solução de dois Estados e agora é o momento de exercer a vontade política necessária para responsabilizar Israel, antes que todas as chances de paz sejam destruídas", acrescentou.

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