EUA mantêm impasse, e cortes orçamentários devem entrar em vigor

Atualizado em  1 de março, 2013 - 18:12 (Brasília) 21:12 GMT

Obama acusa republicanos de intransigência

Uma reunião na Casa Branca terminou sem que líderes dos partidos Democrata e Republicano entrassem em acordo quanto a evitar cortes orçamentários automáticos que entram em vigor nesta sexta-feira nos EUA.

Os cortes, estimados em US$ 85 bilhões (R$ 168 bilhões), terão efeito automático em gastos do governo em áreas como defesa, controle de tráfego aéreo, fiscalização de alimentos e pesquisas médicas, informa a agência Reuters.

Teme-se que os cortes tenham efeitos negativos sobre a ainda lenta recuperação econômica americana.

Analistas creem que o PIB americano possa crescer apenas 1,4% em 2013 caso os cortes orçamentários não sejam adiados ou alterados (em 2012, o crescimento foi de 2,2%).

O presidente Barack Obama culpou os congressistas republicanos pelo impasse, por estes se recusarem a permitir qualquer tipo de aumento de impostos. Para o presidente, os cortes orçamentários são "desnecessários" e "indisculpáveis".

"Washington não facilitou a vida num momento em que os negócios começam a reagir", criticou o presidente.

Ele ressaltou, porém, que acredita haver um número suficiente de congressistas dispostos a entrar em acordo quanto à política fiscal americana, a despeito dos líderes partidários.

O líder republicano na Câmara dos Representantes, John Boehner, reiterou a recusa de seu partido em permitir aumentos de impostos e desafiou o Senado - onde também há impasse e onde propostas orçamentárias de ambos os partidos foram rejeitadas na quinta-feira - a aprovar uma lei a respeito do tema antes da Câmara.

"O povo americano sabe que Washington tem um problema de gastos", declarou Boehner, ao sair da Casa Branca nesta sexta.

"Vamos deixar claro que o presidente obteve seus aumentos de impostos (em um acordo para evitar o abismo fiscal dos EUA) em 1º de janeiro. A discussão quanto a receitas, na minha opinião, está concluída. A questão é discutir os gastos."

Dolorido

Líder republicano John Boehner em coletiva após reunião na Casa Branca (AP)

Boehner, líder republicano; partidos não entram em acordo quanto ao aumento nos impostos

O editor da BBC em Washington Mark Mardell explica que o objetivo dos cortes orçamentários é justamente "doer" na economia americana - eles foram estipulados, dois anos atrás, para serem tão brutais a ponto de forçar políticos dos dois partidos a entrarem em um acordo para manter um equilíbrio nas contas estatais.

A questão envolve também um teatro político, de trocas mútuas de acusações entre republicanos e democratas. Esse teatro deve ter novos capítulos, já que deve haver um novo impasse orçamentário no final deste mês, que deve desencadear uma nova crise.

Em 27 de março, expira um orçamento federal temporário que tem mantido o governo americano funcionando desde 2012. Republicanos na Câmara disseram que votarão na semana que vem uma lei para financiar o governo até o final do ano fiscal, em 30 de setembro.

Do lado de Obama, a estratégia principal é dividir os republicanos e evidenciá-los como intransigentes.

Do lado da população, pesquisas de opinião sugerem que a maioria culpa mais o Congresso do que o presidente pelo impasse.

Ainda assim, ambos os lados parecem se preocupar mais com suas ideologias partidárias do que com o dano que os cortes causarão à economia, prossegue Mardell.

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