Morte revela Chávez como 'herói' em vários países

Atualizado em  7 de março, 2013 - 06:49 (Brasília) 09:49 GMT
Ahmadinejad e Chávez Foto AFP

Irã decretou luto oficial de um dia

O falecido presidente da Venezuela, Hugo Chávez, era uma figura polêmica porém admirada em várias regiões do mundo.

Países distantes como Irã e Belarus chegaram a decretar luto oficial - de um e três dias, respectivamente - em homenagem a Chávez, morto na terça-feira após uma longa batalha contra câncer.

Ela era venerado principalmente pela imagem que passava de paladino da justiça social que não tinha medo de bater de frente com os Estados Unidos, pelo que sugerem as reações de leitores, internautas, ouvintes e seguidores do Serviço Mundial da BBC.

Veja abaixo como ela era visto e como sua morte foi recebida em várias regiões do mundo, em comentários de jornalistas da BBC.

Farouk Chothia, do Serviço Africano da BBC

Muitos africanos comparavam Hugo Chávez com presidentes como Robert Mugabe, do Zimbábue, ou o coronel Muamar Khadafi, ex-líder da Líbia morto em 2011, ambos revolucionários com personalidades extravagantes.

Em 2006, Chávez foi convidado, ao lado do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, para uma cúpula de chefes de Estado da União Africana, na capital da Gâmbia, Banjul.

"Na Venezuela, estávamos cansados de todo o nosso petróleo sendo levado pelo 'Conde Drácula'. Agora a Venezuela é livre e recuperamos o controle do nosso petróleo", disse Chávez na ocasião, entre aplausos.

Opiniões como essa o tornaram especialmente popular entre as classes mais pobres da África, que acreditam que os recursos naturais de seu próprio continente estão sendo espoliados pelas empresas estrangeiras ou pelas elites locais.

Zhuang Chen, do Serviço Chinês da BBC

"Um grande amigo da China", foram as palavras usadas pelo porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores Hua Chunying para descrever Hugo Chávez, após o anúncio de sua morte.

A China cultivou laços estreitos com Caracas durante os quase 14 anos em que Chávez esteve no poder. A agenda ideológica do governante venezuelano parecia ecoar o passado chinês. E, o mais importante, os recursos petrolíferos da Venezuela são vitais para apoiar a vertiginosa velocidade do crescimento chinês.

Os investimentos da China na Venezuela foram espetaculares nos últimos 14 anos, chegando a um total de pelo menos US$ 50 bilhões.

Chávez e Putin

Para Moscou, morte de Chávez 'representa desafio'

O Banco de Desenvolvimento da China, uma das três instituições bancárias estatais do país que financiam obras públicas do governo, emprestou US$ 40 bilhões à Venezuela desde 2008.

De fato, a Venezuela se converteu no maior receptor de investimentos da China na América Latina. As empresas estatais chinesas, por sua vez, obtiveram contratos para construir ferrovias, moradias e outros tipos de obras de infra-estrutura no país sul-americano.

Muitos dos investimentos e projetos fazem parte de um acordo pelo qual os empréstimos da China são pagos por Caracas com o envio de petróleo.

Muitos chineses admiravam o espírito de luta de Chávez contra os EUA. Citando o histórico de ações de Chávez para melhorar a vida cotidiana dos venezuelanos, alguns passaram a exigir de seu próprio governo na China que fizesse mais.

No entanto, outros comparavam a imagem de "homem de ferro" de Chávez com a do líder norte-coreano Kim Jong-un ou, até mesmo, com o histórico Mao Tsé Tung.

Artem Krechetnikov, do Serviço Russo da BBC

A morte de Hugo Chávez, apesar de ser esperada, é vista por Moscou como um novo desafio.

"Há uma reação muito limitada do público em geral. Aos russos comuns, importam muito pouco os países distantes ou os eventos internacionais que não afetem diretamente a Rússia ou os cidadãos russos. Algumas pessoas nem sabem quem era Cháves"

Artem Krechetnikov, do Serviço Russo da BBC

O extravagante líder anti-americano era um parceiro importante para a Rússia na América Latina e nas economias emergentes, não apenas devido aos contratos de comércio de petróleo e armamentos entre os dois países, mas também como um contrapeso à influência dos EUA.

Há uma reação muito limitada do público em geral. Aos russos comuns, importam muito pouco os países distantes ou os eventos internacionais que não afetem diretamente a Rússia ou os cidadãos russos. Algumas pessoas nem sabem quem era Chávez.

Entre grupos minoritários, como os nacionalistas anti-Ocidente, alguns o veem como um herói, enquanto que os bloggers liberais fizeram comentários na manhã de hoje como "Um ditador a menos no mundo".

Os principais meios de comunicação divulgaram informações sobre a morte de Chávez em um tom neutro, com foco principalmente em sua biografia.

Mahmut Hamsici, do Serviço Turco da BBC

Hugo Chávez provocava a simpatia de muitos na sociedade turca, apesar de Turquia e Venezuela nunca terem sido parceiros políticos ou econômicos muito próximos. Isso chama a atenção, já que a esquerda socialista não tem sido um ator político importante na história recente da Turquia.

Líderes latino-americanos como Fidel Castro, Che Guevara, Salvador Allende, Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez foram durante muito tempo muito populares entre alguns turcos, pelo simples fato de terem enfrentado os EUA.

Isso poderia explicar porque muitos turcos com opiniões radicalmente diferentes em relação à política interna – desde os nacionalistas laicos até os islâmicos – lamentaram igualmente a morte de Chávez.

Vineet Khare, do Serviço Hindi da BBC

"O primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, apresentou seus respeitos a 'um líder carismático e imensamente popular' que 'deixa um legado de luta pela justiça social'"

Vineet Khare, do Serviço Hindi da BBC

Na Índia, não são muitos os que conhecem a figura de Hugo Chávez, à exceção dos que navegam pela internet. Mas entre os que o conheciam, foi uma figura popular, conhecido como um líder socialista que enfrentou os EUA.

Assim que sua morte foi anunciada, as redes sociais foram inundadas por mensagens de condolências. "A Índia precisa de um Hugo Chávez para equilibrar a maldição do capitalismo", escreveu Gurinder Ahluwalia.

O primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, apresentou seus respeitos a "um líder carismático e imensamente popular" que "deixa um legado de luta pela justiça social".

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