Data do conclave é tão incerta quanto nome do novo papa

Atualizado em  7 de março, 2013 - 17:58 (Brasília) 20:58 GMT
Cardeais

Imprensa italiana diz que divisão entre cardeais provoca a demora no início do conclave

Pelas normas do Vaticano, a eleição de um novo papa deve começar entre 15 e 20 dias após a morte do pontífice. Com o ex-chefe da Igreja Católica vivo e aposentado, chegou-se a mudar a regra para antecipar o conclave. Mas uma suposta divisão entre os cardeais está fazendo a data ficar tão incerta quanto o nome do novo papa.

Nesta quinta-feira, o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, disse que ainda não há data para o conclave. O anúncio é esperado desde segunda-feira, quando tiveram início as reuniões preparatórias. Já se falou num início para o conclave no dia 10, domingo, ou dia 11, segunda-feira.

Com os fiéis aos poucos desembarcando em Roma, um dos pontos mais movimentados do Vaticano é a entrada lateral dos edifícios anexos à Basílica de São Pedro, à esquerda das colunas que circundam a igreja.

E por ali que entram e saem os cardeais, que a partir desta quarta-feira se reúnem pela manhã e pela tarde para as reuniões preparatórias. Agora em composição completa, com o desembarque do cardeal Jean-Baptiste Pham Minh Man, do Vietnã, um dos últimos a chegar à capital italiana.

A reportagem da BBC Brasil abordou dois cardeais que saíam dos encontros, mas ambos não quiseram fazer declarações.

Divisão

A imprensa italiana culpa uma suposta divisão entre o grupo formado por cardeais italianos (que incluiria aqueles que trabalham na cúria) e outro pelos cardeais "estrangeiros" pela demora no anúncio da data do conclave.

Segundo fontes ouvidas pelo jornal La Stampa, os "estrangeiros" querem mais tempo. A antecipação do conclave teria sido obra do grupo dos italianos (que formam 25% do conclave) e que hoje controlam a cúria.

Os estrangeiros estariam pressionando para ter acesso às informações do bombástico relatório que teria motivado a renúncia de Bento 16.

A investigação sobre um suposto escândalo financeiro e uma rede de coerção salpicada de narrativas de teor sexual no coração da Igreja Católica estaria norteando em boa parte a discussão nos bastidores do encontro de cardeais.

Na terça-feira, o cardeal Sean O’Malley de Boston, nos Estados Unidos, disse que há muitas questões a serem respondidas e muitas pessoas a serem encontradas antes do conclave começar.

Silêncio

Entre o grupo dos descontentes estão os cardeais americanos. Eles são o maior grupo depois dos italianos.

A delegação também foi a única a trazer uma equipe de comunicação a Roma.

O grupo estava dando entrevistas coletivas diárias, mas, nesta quarta-feira, a entrevista foi cancelada uma hora antes da hora prevista.

A assessoria de imprensa dos cardeais disse que houve preocupação na congregação geral de que procedimentos confidenciais pudessem ser vazados pelos americanos.

A BBC Brasil também tentou falar com os cardeais brasileiros. Sem sucesso. Conseguiu apenas contato com o motorista que os leva e traz as reuniões em Roma.

O padre Antonio Augusto Brum Hofmeister disse que os brasileiros estão mais silenciosos, embora conversem de temas amenos e falem ate de futebol no percurso até o Vaticano.

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