Primeira votação confirma previsões e termina sem novo papa

Fumaça preta saindo de chaminé no Vaticano
Image caption Inconclusiva, primeira votação é tida como uma prévia para a eleição do novo papa

A chaminé no topo da Capela Sistina entrou nesta terça-feira em ação pela primeira vez no processo de escolha do sucessor de Bento 16, lançando fumaça negra aos céus de Roma e anunciando que o mundo católico ainda não tem um novo papa.

O resultado era esperado: a primeira votação é tida como uma indicação prévia de nomes considerados pelos cardeais, dando início às discussões sobre o que se espera do novo pontífice.

Mesmo assim, milhares de pessoas enfrentaram o frio e a chuva para testemunhar, na Praça de São Pedro, a emissão da fumaça, às 19h40 horas locais (15h40 em Brasília).

O público vibrou ao ver a fumaça negra saindo pela chaminé.

Quatro votações

A partir de quarta-feira, os 115 cardeais eleitores votarão duas vezes pela manhã e duas vezes à tarde até que pelo menos dois terços deles se decidam pelo mesmo candidato.

Os cardeais foram trancados na capela depois de cada um jurar, em latim, com a mão sobre o Evangelho, que manterá segredo sobre os procedimentos e discussões do conclave.

Em seguida, o mestre papal de cerimônias, Guido Marini, fez o anúncio de Extra omnes - "Todos para fora" - o chamado para que todos os não participantes do conclave deixassem o recinto.

Em seguida, a Capela Sistina foi trancada por fora. A partir deste momento, os cardeais comem, votam e dormem em áreas isoladas do mundo e dos meios de comunicação até terem cumprido a tarefa para a qual foram nomeados pelos dois papas anteriores, João Paulo 2º ou Bento 16: escolher o novo papa.

Aparelhos bloqueadores de sinais de celular e internet foram instalados na Capela Sistina e na Casa de Santa Marta, onde ficam os quartos em que os cardeais passarão a noite.

Renúncia

A eleição do novo papa vem após a súbita e surpreendente renúncia de Bento 16, de 85 anos, alegando não ter mais forças para liderar a Igreja, em um momento em que ela enfrenta vários problemas, dos escândalos de abusos sexuais às acusações de corrupção no Banco do Vaticano.

Após semanas de especulação na imprensa e as reuniões pré-conclave do Colégio dos Cardeais, na semana passada, o conclave começou sem um favorito claro.

Um dos nomes mais citados nas listas de papáveis vem sendo, até agora, o do arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer.

Vaticanistas acreditam que os cardeais buscarão para papa um candidato que se mostre um administrador firme e experiente e capaz de inspirar os fiéis.

Assim que pelo menos 77 dos cardeais-eleitores votarem num mesmo nome, e este aceitar o cargo, a chaminé da Capela Sistina expelirá fumaça branca, anunciando a escolha de um novo papa.

O conclave anterior, de 2005, durou dois dias e levou três rodadas de votação para eleger Joseph Ratzinger como novo papa.

Acredita-se, entretanto, que este conclave venha a ser mais longo.

Na manhã desta terça-feira, os cardeais participaram de uma missa celebrada pelo decano do Colégio dos Cardeais, dom Angelo Sodano.

Em seu sermão, ele elogiou o "brilhante pontificado" de Bento 16 e pediu a Deus mais um "bom pastor" para liderar a Igreja.

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