Saiba quem são os jesuítas, ordem do papa Francisco

O papa Francisco
Image caption Companhia de Jesus teve papel crucial na colonização do Brasil e foi expulsa do país

Obediência é uma das principais marcas dos jesuítas, ordem fundada pelo espanhol Santo Ignácio de Loyola em 1534. Quase 500 anos após sua fundação, a Companhia de Jesus terá um de seus representantes no comando da Igreja Católica, com a eleição do papa Francisco.

O primeiro grupo foi formado por Santo Ignácio e seis estudantes da Universidade de Sorbonne, em Paris, com rigor quase militar, como uma resposta à reforma protestante.

Hoje há mais de 20 mil membros da ordem em mais de cem países. A missão da ordem sempre foi "evangelizar" e expandir conhecimento e educação, conta o padre João Roque Rohr, reitor do Colégio Pio Brasileiro em Roma, em entrevista à BBC Brasil.

"O jesuíta sempre foi um viajante. Uma ordem que não tem fronteiras", conta o padre.

Américas

E foi nas Américas que a Companhia de Jesus ganhou território logo após sua fundação. Dois jesuítas, os padres Manuel da Nóbrega e José de Anchieta, fundaram a cidade de São Paulo, em 1554. Outras missões jesuíticas logo foram estabelecidas em outras partes do Cone Sul, alfabetizando os índios e os batizando na fé católica.

Ruínas das antigas missões ainda são encontradas em Sete Povos das Missões, no Rio Grande do Sul, em território paraguaio e em Córdoba, na Argentina, terra do primeiro papa latino-americano.

Em seu livro O Povo Brasileiro, Darcy Ribeiro conta que os jesuítas sempre se comportaram de modo independente, à revelia das coroas espanhola e portuguesa. No Brasil, costumavam defender os índios colonizados por eles e logo entraram em choque com bandeirantes e colonos portugueses, que procuravam escravizar os nativos.

Foi a falta de obediência à Coroa e a irredutível obediência aos superiores da ordem que fizeram a Companhia de Jesus ser expulsa do Brasil em 1759, pelo Marquês de Pombal, ministro do rei dom José 1º.

Trabalho duro

"Houve um tempo em que os jesuítas não podiam ser bispos. Agora temos o primeiro papa jesuíta. Mas não se elege uma ordem e sim uma pessoa", disse o professor de teologia da Universidade de Navarra, Juan Luis Lorda.

Lorda, assim como o padre Rohr, ressaltam a "novidade" de ter um papa jesuíta, uma das maiores ordens da igreja, que em alguns momentos foi temida devido ao seu caráter organizacional.

"Nós obviamente ficamos contente de tê-lo como pontífice, mas ele foi escolhido por muitas razões, foi escolhido pelo Espírito Santo", disse o padre Rohr.

A ordem possui hoje escolas e universidades em várias partes do mundo, com destacados teólogos e professores. O caráter organizacional foi apontado pelos entrevistados como razão da expansão da ordem pelo mundo.

"Como se costuma dizer, quando há trabalho duro pela frente, contrate um jesuíta", brincou o padre nigeriano Patrick Alumuku, que por mais de 13 anos trabalhou na Rádio Vaticana.

Francisco terá um trabalho árduo pela frente. O primeiro papa latino-americano assume a chefia da igreja em um momento de crise na cúria vaticana, que enfrenta escândalos sexuais e financeiros.

*Colaborou Pablo Esparza, da BBC Mundo

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