Sem definição sobre destino final, corpo de Chávez é levado para museu

Museu Histórico Militar de Caracas
Image caption Restos mortais do presidente venezuelano irão repousar em um de seus redutos

Milhares de venezuelanos foram às ruas da capital, Caracas, nesta sexta-feira, para acompanhar o traslado do corpo do presidente Hugo Chávez da academia militar, onde estava sendo velado, para um museu da cidade.

Os restos mortais do presidente, que morreu na semana passada, deverão permanecer no Museu Histórico Militar até que se decida se será levado ao Panteão Nacional, enterrado em seu estado natal, Barinas, ou embalsamado e exposto em um museu.

Segundo o correspondente da BBC Mundo em Caracas, Abraham Zamorano, o Museu Histórico Militar, conhecido como "Quartel da Montanha", é um lugar carregado de história e simbolismo associado à trajetória do presidente.

Foi lá que Chávez liderou o golpe militar fracassado, em 1992. Além disso, o museu fica no bairro de 23 de janeiro, "um dos mais radicais bastiões chavistas", diz Zamorano.

"Seja qual for seu destino final, não se pode ignorar a aparente mensagem desta passagem por um dos símbolos do passado golpista de Chávez."

Reduto

Hugo Chávez morreu na semana passada aos 58 anos, depois de uma batalha contra um câncer na região pélvica.

O bairro onde por ora permanecerá seu corpo é um reduto das milícias bolivarianas, apêndice das Forças Armadas que serve como uma espécie de ponte com a sociedade civil e atua como um braço armado do chavismo.

Um de seus membros, José Villavicencio, disse à BBC Mundo que os moradores do bairro sentem "muita tristeza" pela perda, mas ao mesmo tempo encaram como "uma honra muito grande" a chegada do corpo de Chávez.

Assim como muitos chavistas, Villavicencio diz estar "disposto a dar a vida e o sangue" para que a chamada Revolução Bolivariana prossiga.

Críticas

Mas a decisão de levar o corpo do líder ao bairro também gerou críticas na capital venezuelana.

Um dirigente comunitário de outro bairro de Caracas, que não quis ter seu nome publicado, disse à BBC Mundo que levar Chávez ao 23 de janeiro é a "consagração do radicalismo".

Para o professor universitário John Magdaleno há duas mensagens na decisão, uma delas efetivamente relacionada ao golpe de 1992.

"Aquilo que foi considerado uma derrota, seria convertido no relato oficial de uma vitória histórica", disse à BBC Mundo.

Segundo o analista, a outra mensagem é aprofundar a noção de que Chávez pertence aos setores mais populares.

Para o correspondente da BBC Mundo, "a mensagem é clara: comemorar uma data que encerrou a carreira militar de Chávez e deu início a sua meteórica carreira política".

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