Acre promete manter ajuda a imigrantes apesar do estado de emergência

Imigrantes em abrigo no Acre (foto:Fábio Pontes - BBC Brasil)
Image caption Governo federal quer combater traficantes de pessoas com legalização de imigrantes

O Acre manterá a ajuda humanitária a haitianos e africanos apesar do atual estado de emergência e da possibilidade de o Estado se tornar uma das principais rotas de imigração para o país, disse à BBC Brasil Nilson Mourão, secretário estadual de Justiça e Direitos Humanos.

Há cerca de um mês, o número de imigrantes instalados em um abrigo na cidade de Brasileia subiu de cerca de 200 para mais de 1.300. A superlotação fez as condições de higiene se deteriorarem e motivou o governo a declarar estado de emergência.

Mourão atribuiu a elevação repentina do número de imigrantes a dois fatores. Um deles foi a diminuição do efetivo de agentes da Polícia Federal responsáveis no Estado por produzir a documentação necessária para a legalização dos imigrantes no Brasil.

Segundo ele, a PF liberava a documentação de cerca de cem imigrantes diariamente, mas, após a redução, apenas dez casos passaram a ser processados por dia.

Ele disse ainda que o Acre se tornou um polo de atração para imigrantes sem documentos devido ao trabalho humanitário realizado pelas autoridades locais.

"Nós garantimos o abrigo, três refeições por dia, acesso á saúde, documentos e trabalho. Todos saem daqui contratados", disse.

Essa assistência atraiu a atenção de traficantes de pessoas e de imigrantes de outros continentes. Além dos haitianos, que são maioria, há no abrigo cerca de 70 senegaleses e alguns cidadãos da Nigéria e de Bangladesh.

"Esse é um sintoma de que esta rota de imigração está se globalizando. Esta rota está chegando na África", disse Mourão.

Segundo ele, outros governos da região Norte já ofereceram ajuda a imigrantes, mas a cortaram quando perceberam que se tornavam parte de grandes rotas de imigrantes.

Apesar disso, a determinação do governo estadual é manter o mesmo esquema de ajuda humanitária.

Tráfico de pessoas

Segundo o secretário, o Estado tem capacidade para fornecer apoio para o fluxo espontâneo de imigrantes. Porém, não teria capacidade para lidar com a questão se quadrilhas de traficantes de pessoas continuarem levando estrangeiros sem documentos para o Acre.

Segundo ele,a Polícia Federal não tem efetivo suficiente no Estado para reprimir essas quadrilhas, e o governo federal não tem tomado ações diplomáticas para viabilizar o combate a esse tipo de crime nos países vizinhos.

Ajuda federal

Mourão afirmou que a equipe da PF começou a ser reforçada na terça-feira. A capacidade de processamento de documentações chegaria a mais de cem casos por dia.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, anunciou a criação de uma força-tarefa de 20 agentes que começará a trabalhar no Acre nesta sexta-feira. Segundo ele, a superlotação no abrigo deve ser resolvida em uma semana.

Ele anunciou que os gruspos criminosos serão investigados, mas afirmou que a principal aposta do governo para vencer o tráfico de pessoas é amplicar a capacidade de receber imigrantes legalizados no país.

"A nossa ideia é favorecer a entrada legal para que possamos viabilizar medidas de enfrentamento aos coiotes (traficantes)", afirmou. Segundo ele, dessa forma os imigrantes poderão entrar no país legalmente pelos aeroportos, sem depender dos traficantes.

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