Restos mortais de Pablo Neruda serão analisados nos EUA

Pablo Neruda (Foto Ap)
Image caption Segundo assessor, Neruda teria recebido uma injeção letal por ordem de Pinochet

A família do Nobel de literatura chileno Pablo Neruda concordou com o envio de seus restos mortais para os Estados Unidos, onde ele passará por uma série de testes toxicológicos.

Seu corpo foi exumado na última segunda-feira por autoridades chilenas em um esforço para determinar se sua morte foi causada por envenenamento.

Neruda morreu há 40 anos, logo após o golpe de Estado que colocou o general Augusto Pinochet no poder.

Na ocasião, sua morte foi atribuída a um câncer de próstata. Um assessor do poeta, porém, tem defendido que ele recebeu uma injeção letal por ordem de Pinochet.

O advogado Rodolfo Reyes, sobrinho de Neruda que participou da exumação de seu corpo junto com um grupo especialistas internacionais, disse a uma rádio local que os restos mortais de seu tio serão minuciosamente examinados.

“Eles levarão amostras para um laboratório. É um exame técnico e queremos que eles levem o tempo que for preciso para que não restem dúvidas”.

As autoridades afirmaram que os testes serão realizados na Carolina do Norte.

História

Neruda era amigo do presidente chileno Salvador Allende, deposto por Pinochet. Ele morreu aos 69 anos, apenas 12 dias depois do golpe.

O poeta foi enterrado ao lado de sua mulher Matilde Urrutia no jardim de sua casa em Isla Negra, na costa do Chile.

Em 2011, porém, o Chile começou a investigar alegações de Manuel Araya, ex-motorista e assistente pessoal de Neruda, sobre o suposto envenenamento de seu patrão.

Araya disse que Neruda telefonou para ele de um hospital e disse que começou a se sentir mal depois de receber uma injeção.

As alegações são apoiadas pelo Partido Comunista Chileno, que afirma que Neruda não apresentava sintomas de câncer quando morreu.

Reyes afirmou que a família quer saber se Neruda morreu devido a causas naturais ou foi assassinado.

Mais de três mil pessoas foram mortas ou desapareceram durante os 17 anos do regime de Pinochet (1973-90).

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