Ministro britânico vai ao Brasil para atrair mais estudantes à Grã-Bretanha

  • 23 abril 2013
Estudantes em Liverpool, em foto de arquivo (BBC)
Image caption Medidas migratórias geraram temores em estudantes estrangeiros na Grã-Bretanha

O Brasil e mais dois países latino-americanos recebem nesta terça-feira dois ministros britânicos em missão para atrair potenciais estudantes brasileiros e latinos para universidades da Grã-Bretanha.

O ministro para Negócios, Inovação e Treinamento, Vince Cable, visita o Brasil para ampliar a cooperação entre os dois países, que cresceu com o programa Ciência Sem Fronteiras, enquanto o secretário para Universidades e Ciência, David Willetts, vai à Colômbia e ao México.

A iniciativa ocorre no momento em que universidades britânicas observam uma redução no número de estudantes de países como a Índia - muitos atribuem essa queda a regras mais rígidas na emissão de vistos.

Ao mesmo tempo, por conta da crise econômica na Grã-Bretanha, as universidades do país estão se tornando cada vez mais dependentes da renda obtida com as taxas mais altas que cobram de estudantes de fora da União Europeia.

E as recentes iniciativas do governo britânico para dificultar a imigração ao país preocupam essas instituições, que temem a queda no número de estudantes estrangeiros.

No ano passado, causou polêmica a decisão do governo de retirar a licença da London Metropolitan University para pedir a emissão de vistos para alunos estrangeiros - medida que afetou dezenas de estudantes brasileiros.

A decisão acabou sendo revogada, mas despertou temores de que estudantes estrangeiros possam não se sentir bem-vindos na Grã-Bretanha.

Ciência Sem Fronteiras

Agora, autoridades britânicas se voltam à América Latina para atrair mais estudantes interessados em cursos de graduação ou títulos de PhD.

Durante sua visita ao Brasil, são esperados elogios de Cable ao Ciência Sem Fronteiras, criado pela presidente Dilma Rousseff com a meta de oferecer até 101 mil bolsas de estudo em educação superior no exterior em quatro anos.

O programa permite que estudantes brasileiros façam três meses de estágio em empresas na Grã-Bretanha, como Ford UK, GlaxoSmithKline e Unilever, como parte de seus estudos.

Segundo a Agência Brasil, 22 mil estudantes brasileiros foram enviados a 35 países, entre eles a Grã-Bretanha. Ainda assim, o Brasil é apenas o 38º no ranking de países que mais enviam estudantes a instituições britânicas, atrás de países bem menores, como Kuwait e Jordânia.

Entre 2011 e 2012, apenas 1.340 brasileiros estudavam na Grã-Bretanha, mas espera-se que o número cresça consideravelmente por conta do Ciência Sem Fronteiras.

"Poucos países se equiparam ao Reino Unido em educação de alta qualidade. O sucesso do Ciência Sem Fronteiras em atrair estudantes brasileiros é uma prova disso e, ainda que o programa gere 200 milhões de libras (R$ 612 milhões), seu impacto vai além do financeiro", disse Willetts.

"Atrair mais estudantes de economias emergentes como México e Colômbia levará a outras formas futuras de engajamento entre eles e o Reino Unido, como intercâmbios para estudantes britânicos e pesquisas colaborativas."

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