Ossos comprovam canibalismo de colonos britânicos nos EUA

  • 1 maio 2013
Marcas nos ossos são a primeira prova científica de canibalismo durante o duro inverno de 1609 e 1610

Ossos humanos recém-descobertos provam que os primeiros colonos britânicos a chegar à América do Norte tiveram de recorrer ao canibalismo durante o duro inverno de 1609 e 1610, informam pesquisadores americanos.

Cientistas descobriram cortes incomuns, consistentes com canibalismo, em ossos deixados em um depósito de lixo da época.

O crânio e a tíbia de 400 anos, pertencentes a uma adolescente do estado americano da Virgínia, foram escavados no ano passado, em uma colônia fundada em 1607.

"A evidência é totalmente consistente com o desmembramento e com (a retirada da) carne desse corpo", diz Doug Owsley, antropólogo forense no Museu Smithsonian de História Natural, em Washington.

Documentos escritos já sugeriam que colonos, em desespero, haviam recorrido ao canibalismo. Mas a ossada da menina britânica de 14 anos é a primeira prova científica disso.

'Tempo da fome'

Os pesquisadores acreditam que a menina, depois de morrer, se tornou fonte de alimentos para uma comunidade que lutava para sobreviver ao inverno de 1609 e 1610 - período conhecido pelos historiadores como "tempo da fome".

Esse período é considerado um dos mais terríveis dos primórdios da era colonial na América do Norte. Os colonos em James Fort, Virgínia, estavam sitiados pela população indígena local e não tinham comida o bastante para sobreviver ao inverno.

Os colonos primeiro comeram seus cavalos; depois recorreram a cães, gatos, ratos, camundongos e cobras. Alguns chegaram a comer o couro de seus sapatos.

Por fim, tiveram de recorrer ao canibalismo, mas não se sabe quantos dos mortos da época viraram fonte de alimentos para seus pares. Acredita-se que a adolescente não tenha sido a única.

O alívio veio quando um nobre chegou ao assentamento com comida e mais colonos. Dos 300 colonos originais, sobraram apenas 60, após seis meses de isolamento e fome.

Cortes

No caso da menina, "havia numerosos cortes - na testa, na parte atrás do crânio e uma picada no lado esquerdo da cabeça, para extrair o cérebro", diz Owsley. "A intenção clara era remover tecido facial é cérebro para consumo. Essas pessoas estavam vivendo em circunstâncias extremas. Então, qualquer carne disponível seria usada."

Não se sabe exatamente como a menina de 14 anos morreu, mas o uso de seu corpo teria ocorrido pouco depois.

Análises mais aprofundadas indicam que, em sua vida, ela era bem nutrida e se alimentou com muita carne, dieta consistente com as classes mais abastadas da época.

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