Câmara britânica aprova casamento gay apesar de racha no partido do governo

Manifestação contra casamento gay em Londres (AFP)
Image caption Aprovação gerou protestos entre conservadores; projeto ainda passará pela Câmara dos Lordes

A Câmara dos Comuns (Baixa) da Grã-Bretanha aprovou nesta terça-feira o casamento entre pessoas do mesmo sexo, apesar de divisões no partido do governo - o Conservador - que colocam o premiê David Cameron em rota de colisão com seus aliados.

O projeto de lei, se aprovado também na Câmara dos Lordes (Alta), permitirá o casamento gay na Inglaterra e no País de Gales.

Apesar de a oposição que a medida ainda deve enfrentar, Cameron espera por sua aprovação e quer que a primeira cerimônia matrimonial legal seja realizada já no verão do ano que vem no hemisfério Norte (junho).

A medida, patrocinada pelo governo, foi aprovada pelos parlamentares com 366 votos a favor e 161 contra.

Diversos conservadores se manifestaram contra o projeto, que teve o apoio de liberais-democratas (parte da coalizão governista) e trabalhistas (de oposição).

Direitos e religião

A lei deverá permitir que casais que já vivem em união civil convertam sua relação em um casamento.

Defensores da medida alegam que a parceria unicamente civil perpetua a noção de que relacionamentos homossexuais não estão em pé de igualdade com os heterossexuais e de que os direitos legais não são exatamente os mesmos.

A secretária de Interior britânica, Theresa May, e a ministra-adjunta de Igualdades, Lynne Featherstone, disseram que "não é justo que um casal que se ame e queira formalizar seu compromisso tenha esse direito negado".

Mas o projeto de lei não criará obrigações para as organizações religiosas - estas poderão optar por realizar ou não cerimônias de casamento de pessoas do mesmo sexo.

O projeto também especifica que a Igreja Anglicana será proibida por lei de oferecer casamentos gays.

Tensões entre conservadores

A votação do projeto alimentou as tensões entre o governo Cameron e uma ala de seu Partido Conservador, cujas atenções estavam voltadas às divergências entre a Grã-Bretanha e a União Europeia, em um momento de crise econômica.

O editor de política da BBC, Nick Robinson, diz que as divergências atestam a relação cada vez mais delicada entre Cameron e seus aliados.

"Muitos ativistas conservadores não acreditam no casamento entre pessoas do mesmo sexo", explica Robinson. "A união entre Cameron e seu partido nunca foi tranquila. Era calculista politicamente. Agora, está em claros problemas."

O parlamentar conservador Brian Binley afirmou que existe um "abismo crescente" entre o premiê e seus correligionários.

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